General croata tomou veneno e se matou no tribunal, ao ser condenado por crimes de guerra

Inconformado com a pena de 20 anos de prisão por crimes de guerra, o general Slobodan Praljak, de 72 anos, tomou veneno no tribunal que o condenou pelos crimes cometidos contra os muçulmanos durante a Guerra da Bósnia e que recusou seu recurso contra a pena.

O fato aconteceu nessa quarta-feira (29 de novembro).

Ao ficar sabendo que sua punição não seria reduzida, Slobodan levou um pequeno frasco à boca e disse ao juiz do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia: “Eu acabei de tomar veneno. Não sou criminoso de guerra. Oponho-me a esta sentença”.

Praljak não sobreviveu

O general que tomou veneno ainda foi socorrido, mas morreu em um hospital em Haia, na Holanda, para onde foi levado. Ele estava sendo julgado na cidade, já que a sede do tribunal da ONU que investiga os crimes cometidos durante a guerra.

A sala onde acontecia o julgamento foi interditada e o caso está sendo investigado. As autoridades ainda não sabem dizer como o militar entrou no tribunal com o frasco de veneno.

Quem era o homem que tomou veneno no tribunal?

A condenação do general que tomou veneno diante da corte saiu em 2013. Ele foi culpado, juntamente com outras 5 pessoas, por não ter impedido que soldados do Exército bósnio-croata sob seu comando matassem civis muçulmanos na cidade de Mostar, entre os anos de 1993 e 1994.

Antes de participar da guerra, entretanto, o Slobodan Praljak se formou em Filosofia e em Cinema e chegou a trabalhar como cineasta. Em 1991, no entanto, ele se alistou voluntariamente no exército croata, logo no início do conflito, e liderou uma unidade militar formada em especial por intelectuais.

Mesmo sem experiência militar, ele acabou subindo de cargo rapidamente e se tornou general e entrou no Exército bósnio-croata, que lutava por implantar um Estado de maioria croata na Bósnia. Ou seja, Slobodan Praljak lutou tanto contra os sérvios quanto contra os bósnios.

O que foi a Guerra da Iugoslávia?

  • Em 1992, a Bósnia, de maioria muçulmana, declara independência em meio à desintegração do país comunista;
  • Depois de 1 ano de conflito, em 1993, a ONU declarou zonas de segurança que incluíam as cidades de Sarajevo e Srebrenica;
  • Em 1995, tropas lideradas por Mladic invadiram a Srebrenica e mataram 8 mil muçulmanos;
  • Em novembro de 1995, depois de bombardeios da Otan (aliança militar ocidental), as forças sérvio-bósnias foram derrotadas;

Outros acusados de guerra:

  • Ratko Mladic, 75

Chefe do Exército sérvio-bósnio entre 1992 e 1996, quando crimes no cerco a Sarajevo e em Srebrenica foi condenado à prisão perpétua.

  • Slobodan Milosevic

Líder da Iugoslávia durante os conflitos, Slobodan foi enviado a Haia em 2001; e morreu na prisão em 2006, antes mesmo de ser julgado por seus crimes de guerra.

  • Radovan Karadzic

Antigo líder político da República Sérvio-Bósnia, Rodovan foi preso em 2008 e condenado a 40 anos de prisão por crimes em Sarajevo e Srebrenica.

  • Goran Hadzic

Ex-líder rebelde sérvio na Croácia. Morreu em 2016, antes do final de seu julgamento, no qual era acusado de assassinato e tortura.

Fonte: Folha de São Paulo, O Globo