História

Estátuas do Egito – Por que elas têm os narizes quebrados?

As estátuas do Egito ajudam a contar a história de uma das civilizações mais antigas do mundo, mas possuem muitas partes destruídas.

Por P.H Mota

Entre as principais construções do mundo antigo, estão as pirâmides es estátuas do Egito, como a Esfinge de Gizé. No entanto, algo que chama atenção sobre as obras é o fato de tantas delas estarem sem o nariz.

Ao longo da história, diferentes polêmicas e suposições surgiram para tentar responder a dúvida. Entre elas, por exemplo, esteve a teoria – já refutada – de que os colonos europeus queriam apagar os traços africanos dos antigos egípcios nas obras.

Curiosamente, assim como as estátuas são importantes para compreender o Egito Antigo, a destruição delas também sinaliza sua importância naquela civilização.

Contato com o sobrenatural

Estátuas do Egito - por que elas têm os narizes quebrados?
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Atualmente, a resposta mais confiável consiste na iconoclastia. A palavra tem origem no grego Eikonoklasmos, e significa “quebra de imagens”. Ou seja, a quebra das imagens estava diretamente ligada a motivos religiosos ou políticos importantes para a sociedade da época.

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As estátuas do Egito Antigo eram uma forma de contato dos povos com os deuses egípcios. Sendo assim, os egípcios acreditavam que elas poderiam carregar algum tipo de poder sobrenatural vindo dos seres divinos.

Além disso, a crença também considerava que humanos que se tornavam próximos dos deuses também podiam habitar as estátuas e, assim, atuar no mundo material. Uma vez que as obras de arte estavam ocupadas, poderiam ser ativadas por meio de rituais.

Da mesma maneira, as estátuas também poderiam ter seus poderes desativados caso sofressem algum tipo de dano. Essa decisão podia partir de motivações de vingança e ressentimento, ou mesmo por ladrões de túmulos.

Estátuas na história do Egito

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Segundo a mitologia egípcia, quando Akhenaton governou entre 1353 e 1336 a.C, queria que os povos idolatrassem apenas um deus, Aton. Por causa disso, seu governo envolveu a destruição de algumas imagens de um outro importante deus reconhecido, Amon.

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Mais tarde, quando seu reinado acabou e o culto a Amon foi reestabelecido, foi o momento de uma nova onda de destruição em templos e monumentos a Aton e Akhenaton.

Durante o governo de Tutemés III, entre 1479 e 1425 a.C, a situação também se repetiu. O faraó queria ter certeza que seu filho seria seu sucessor no trono e, por isso, tentou destruir evidências da existência de sua madrasta – Hatshepsut –da história.

A tentativa, quase quase deu certo, passou pela destruição de várias estátuas da rainha no Egito.

Destruição de estátuas

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Ainda que sejam listados exemplos em casos extremos e ligados a reis e rainhas, o hábito de destruição de estátuas era um problema constante no Egito Antigo.

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Durante o Primeiro Período Intermediário (cerca de 2130-1980 a.C), por exemplo, um decreto real chegou a circular mencionando a destruição dos símbolos. O texto dizia:

“Quem em toda esta terra fizer algo nocivo ou perverso às suas estátuas, lajes, capelas, carpintarias ou monumentos que se encontrem no recinto de algum templo, Minha Majestade não permitirá que sua propriedade ou a de seus pais permaneçam com eles, ou se junte aos espíritos da necrópole, ou permaneça entre os vivos.”

A destruição específica do nariz está ligada ao órgão como fonte do fôlego e vida. No entanto, outras partes também eram destruídas, de acordo com restrição de poder desejada.

Outras partes normalmente afetadas eram o braço esquerdo (utilizado para fazer oferendas), orelhas (para impedir que os deuses ouvissem a figura) e a cabeça (para impedir a comunicação).

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Fontes: BBC

Imagens: SL daily, CNN, AWorkstation, all that is interesting

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