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Fezes verdes: o que pode ser e o que fazer?

Embora possam ser motivo de susto, as fezes verdes, de modo geral, não indicam condições graves. Saiba mais sobre isso aqui em nosso texto!

Notar fezes verdes no vaso sanitário pode ser um grande susto para a maior parte das pessoas. No entanto, de modo geral, essa aparência não indica nada muito grave, já que costuma estar relacionada com o consumo de exagerado de alimentos verdes, naturais ou não, como espinafre, couve ou mesmo corante dessa cor.

Contudo, existem sim algumas condições um pouco mais sérias que ocasionam essa coloração nas fezes, por exemplo, infecções intestinais ou a síndrome do intestino irritável. Ambas as situações merecem atenção e acompanhamento médico, sobretudo se persistirem por mais de 2 dias.

Quer saber mais sobre o que pode causar as fezes verdes? Então, acompanhe nosso texto.

Confira 5 causas possíveis para as fezes verdes

1. Consumo de alimentos verdes

O alto consumo de vegetais verdes (espinafre, brócolis ou alface) ou alimentos com corantes verdes podem resultar em fezes verdes. É importante destacar que isso pode acontecer tanto em crianças como em adultos também.

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Como tratar:

Nesse caso, o ideal para que as fezes voltem a coloração normal é suspender temporariamente o consumo de alimentos verdes. Consequentemente, a coloração volta ao normal assim que o organismo os elimina.

2. Síndrome do intestino irritável pode deixar as fezes verdes

A síndrome do intestino irritável é uma inflamação das vilosidades intestinais que pode levar à formação de fezes verdes. Segundo Carlos Henrique Bohm, doutor em ciências comportamentais pela Universidade de Brasília (UnB) : “Na síndrome do intestino irritável, há uma alteração na frequência das evacuações e do aspecto das fezes associados a um quadro de desconforto abdominal que é reduzido com a evacuação”.

Como tratar:

O tratamento dessa síndrome deve ser em várias frentes, trabalhando as questões nutricionais com uma alimentação adequada indicada por um profissional da área, assim como terapia psicológica e atividades que diminuam o estresse.

3. Infecção intestinal

Infecções intestinais podem levar à formação de fezes verdes. Nas infecções intestinais, o trânsito intestinal se torna mais rápido, diminuindo o tempo de exposição da bile às bactérias intestinais e às enzimas digestivas, o que leva à diarreia verde.

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Como tratar:

Neste caso, é importante buscar atendimento médico para que ele possa receitar o uso de medicamentos de acordo com o agente infeccioso em questão.

4 – Antibióticos podem deixar as fezes verdes

Antibióticos podem interferir na quantidade de bactérias presentes no trato intestinal, o que interfere no processamento da bile, novamente ela. A bile é um pigmento esverdeado inicialmente, mas que devido a algumas enzimas digestivas adquire coloração marrom.

Quando a quantidade de bactérias presentes no intestino é alterada, a bile continua a ser esverdeada e da origem às fezes verdes. Neste caso, o normal é que assim que os remédios parem de ser ingeridos, as fezes voltem ao normal.

Como tratar:

Caso o término do tratamento com o remédio em questão não for o suficiente para que as fezes voltem à coloração normal, o indicado é procurar ajuda médica para que se possa, então, ser receitado algum probiótico para auxiliar nesse processo.

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6 – Problemas no estômago

Algumas doenças bacterianas ou virais que atingem o estômago podem deixar as fezes verdes. Isso porque elas passam com muita velocidade pelo trato intestinal, não permitindo a quebra dos pigmentos biliares. Doenças como a giardíase, por exemplo, provocam esse tipo de condição.

Como tratar:

O problema pode desaparecer por conta própria em alguns dias, especialmente se o paciente beber muita água. No entanto, se houver sintomas que acompanham a mudança de coloração, pode haver uma contaminação mais grave.

7 – Suplementos com ferro

Pílulas de suplementação de ferro pode contribuir para a mudança de tons das fezes, ficando verdes ou pretas. A alteração pode indicar que o corpo está absorvendo os suplementos de forma correta, quando elas ficam pretas. Por outro lado, as fezes verdes indicam que os nutrientes não estão sendo absorvidos corretamente.

Como tratar:

Nesse caso, é preciso consultar um médico para estudar outras alternativas de suplementação. Nos casos de ferro intravenoso, por exemplo, o efeito não ocorre.

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5 – Mecônio é caracterizado por fezes verdes

Mecônio são as primeiras fezes do bebê. Ela é espessa, viscosa e esverdeada, já que a microbiota intestinal do bebê ainda não está completamente desenvolvido.

Como tratar:

É normal que o bebê libere essas fezes nas primeiras 24 horas após o nascimento, havendo mudança progressiva na coloração e consistência das fezes ao longo dos dias devido à maturação do trato intestinal.

Quando você deve ir ao médico

As fezes verdes devem ser motivo de consulta a um médico especialista quando surgem com outros sintomas. Entre eles, por exemplo, estão quadros de diarreia, enjoo, perda do apetite, dor de cabeça e tonturas. Além disso, fezes acompanhadas de sangue também indica algum tipo de problema grave.

Outros quadros que necessitam de uma observação mais profunda de um médico são aqueles em que a coloração verde não desaparece. Em média, a condição deve sumir em até três dias após a redução do consumo de alimentos ou medicamentos que provocam a mudança.

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Ou seja, quando o quadro não some naturalmente, é possível que existam complicações que precisam de um diagnóstico mais profundo.

Fezes verdes podem indicar câncer?

De modo geral, a mudança de coloração das fezes que podem indicar câncer são vermelhas ou pretas. Isso ocorre em decorrência do sangue presente. No entanto, é importante destacar que esse fato não é determinante, pois existem outras condições que também acarretam as fezes vermelhas ou pretas.

Leia também:

Fontes: Medical News Today, Tua Saúde, IstoÉ.

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Bibliografia:

BOHM, Carlos Henrique. Síndrome do intestino irritável: um exercício em análise funcional do comportamento. 2009. 70 f., il Dissertação (Mestrado em Ciências do Comportamento) – Universidade de Brasília, Brasília, 2009.

FALCÃO, Juliana Pfrimer et al. Plesiomonas shigelloides: um enteropatógeno emergente?. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, p. 141-151, 2007.

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