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O que acontece se você misturar remédio e álcool?

Muita gente fica com dúvida na hora de misturar remédio e álcool. É realmente proibido? Ou não tem problema misturar os dois? Quais são os remédios que podem e os que não podem?

Por Júlia Marreto

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É bem natural que algumas pessoas creditem que misturar remédio e álcool faz mal para a saúde. Você já deve ter escutado isso algumas vezes ao longo da vida. Mas isso é verdade mesmo? Bem, na maioria dos casos o álcool não interfere na ação dos remédios.

Por exemplo, duas latinhas de cerveja não vão cortar o efeito de um analgésico. O problema é que, geralmente, boa parte das pessoas não param no segundo copo. Aí sim, exagerando na quantidade de bebida alcoólica você acaba comprometendo os efeitos de um antibiótico, por exemplo.

Segundo o infectologista Renato Grinbaum: “Como o álcool tem efeito diurético, o corpo elimina o medicamento pela urina, impedindo que permaneça no sangue num nível de concentração elevado o suficiente para matar a bactéria causadora da doença”.

É verdade que misturar remédio e álcool faz mal?

O que acontece se você misturar remédio e álcool?

Um grande risco que você corre ao misturar remédio e álcool é sobrecarregar o organismo, isso porque ele precisará metabolizar remédios e bebidas. “Alguns princípios ativos dos medicamentos são metabolizados por enzimas produzidas pelo fígado, que também tem a função de processar o etanol”, diz Grinbaum.

Usados para combater infecções ginecológicas e gástricas, o metronidazol e o tinizadol são antibióticos que não devem ser misturados com álcool. Segundo o clínico geral Silvio Donatangelo do Hospital Sírio-Libanês, “a interação dessas substâncias com álcool pode provocar dor de cabeça, queda da pressão e até desmaios.”

O verdadeiro perigo está na mistura de álcool com medicamentos para tratamento de problemas neurológicos e psiquiátricos. Isso porque o álcool tem efeito depressivo sobre o sistema nervoso central, além de potencializar a ação de determinadas substâncias, elevando o risco de perda da coordenação motora e mental.

Leia a bula, sempre

É mais difícil combinar alimentos e remédios do que você imagina. Nutrientes alimentares e fármacos não dão certo. Eles não se encaixam. Não combinam. Podem se anular. Podem se potencializar. De acordo com Donatangelo, “Muitos medicamentos se tornam ineficazes ou perigosos quando associados a certos alimentos.

Outros perdem o efeito”. Existem casos em é aconselhada a administração do medicamente com o estômago cheio: analgésicos como o ácido acetilsalicílico irritam a mucosa do estômago. Enquanto medicamentos como para o tratamento de distúrbio da tireoide devem ser tomados em jejum absoluto.

Outro exemplo são os remédios coagulantes, que podem perder seu poder se forem combinados com alimentos ricos em vitamina K, como legumes e verduras. A lista é enoooooorme! E, justamente por isso é muito importante ler a bula e consultar seu médico antes de começar a tomar qualquer medicamento.

Remédios e bebidas alcoólicas

O que acontece se você misturar remédio e álcool?

Anticoncepcionais

Não tem problema misturar anticoncepcionais com bebidas alcoólicas. Eles servem para evitar gravidez indesejada, já que bloqueiam o processo de ovulação. Aqui, o único problema é se você beber demais e esquecer de tomar a pílula.

Anti-histamínicos

São usados para tratamentos de alergias e, em grande parte das vezes, causam sonolência. Combinar esse tipo de medicamento com álcool pode potencializar esse efeito colateral, te deixando com mais sono ainda e afetar a coordenação motora.

Ansiolíticos

São aqueles medicamentos indicados para o tratamento de ansiedade e insônia. A combinação de álcool e benzodiazepínicos é a mais explosiva de todas, pois desencadeia sedação, falta de coordenação e prejuízo da memória, com risco de acidentes.

Analgésicos e anti-inflamatórios

Bebidas alcoólicas não vão afetar o efeito do remédio. Mas essa mistura pode acabar causando irrtação e desconforto no estômago.

Antidepressivos

São usados para tratar depressão e transtornos obsessivos-compulsivos (TOC) e do pânico. Quando misturados com álcool em pequenas doses não causam problemas para quem toma antidepressivo inibidor seletivo da recaptação de serotonina, como a paroxetina, por exemplo.

Antibióticos

Geralmente, um ou dois copos de cerveja ou vinho, não cortam sua ação. Mas quando ingerido em excesso, o álcool pode sim cortar o efeito desses remédios.

Fonte: Super, Guia do Corpo

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