8 fatos surpreendentes sobre o Glaciar Perito Moreno que pouca gente conhece

Descubra curiosidades fascinantes sobre o Glaciar Perito Moreno, na Patagônia Argentina: de sua estabilidade única ao trekking sobre o gelo milenar.

Imagine uma parede de gelo com quase 70 metros de altura — o equivalente a um prédio de 20 andares — avançando lentamente sobre um lago de águas turquesa. Esse cenário, que parece saído de um filme, é real e fica no extremo sul da Argentina. O Glaciar Perito Moreno é uma das formações naturais mais impressionantes do planeta, mas existe muito mais por trás da sua imponência do que os olhos conseguem captar à primeira vista.

Localizado no Parque Nacional Los Glaciares, na Patagônia Argentina, esse gigante de gelo atrai centenas de milhares de visitantes todos os anos. Porém, entre desprendimentos espetaculares e paisagens de tirar o fôlego, há curiosidades fascinantes que passam despercebidas pela maioria dos viajantes.

1. É um dos poucos glaciares do mundo que não está encolhendo

Enquanto a grande maioria dos glaciares ao redor do planeta está em retração acelerada por causa das mudanças climáticas, o Perito Moreno mantém um equilíbrio notável. Os cientistas classificam seu comportamento como “estável”, o que significa que a quantidade de gelo que ele acumula por neve e precipitação é praticamente igual à que perde por derretimento e desprendimento. Esse fenômeno é raro no cenário atual e transforma o glaciar em um objeto de estudo valioso para a glaciologia mundial.

2. Ele tem o tamanho de uma cidade inteira

O Perito Moreno se estende por aproximadamente 250 km² de superfície. Para ter uma ideia, isso é maior do que a área urbana de cidades como Curitiba. Sua frente — a parte visível que avança sobre o Lago Argentino — tem cerca de 5 km de largura e entre 60 e 74 metros de altura acima da água. Mas o que aparece é apenas uma fração: abaixo da superfície, o gelo se estende por mais dezenas de metros.

3. Faz parte da terceira maior reserva de gelo do mundo

O glaciar é alimentado pelo Campo de Hielo Patagónico Sur (Campo de Gelo Patagônico Sul), que com seus quase 13.000 km² é a terceira maior massa de gelo continental do planeta, ficando atrás apenas da Antártica e da Groenlândia. Essa imensa reserva de água doce congelada se estende pela Cordilheira dos Andes, entre a Argentina e o Chile, e abriga dezenas de outros glaciares menos conhecidos.

4. Seu nome homenageia um explorador, não um glaciar

Francisco Pascasio Moreno, conhecido como “Perito” Moreno, foi um naturalista e explorador argentino do século XIX que dedicou sua vida ao estudo da Patagônia. Ele nunca chegou a ver o glaciar que leva seu nome — a homenagem veio depois, pelo seu papel fundamental na demarcação das fronteiras entre Argentina e Chile na região andina. O título “perito” significa “especialista” em espanhol, uma referência ao seu trabalho como perito em questões limítrofes.

5. O espetáculo da ruptura acontece em ciclos imprevisíveis

O fenômeno mais famoso do Perito Moreno é a ruptura: quando o avanço do glaciar forma uma represa natural no Brazo Rico do Lago Argentino, a pressão da água acumulada eventualmente rompe a barreira de gelo em um evento monumental. Toneladas de gelo desabam com um estrondo que pode ser ouvido a quilômetros de distância. Esse ciclo ocorre a cada poucos anos, mas não segue um padrão fixo — a última grande ruptura aconteceu em março de 2024, e cientistas monitoram constantemente para tentar prever a próxima.

6. É possível caminhar sobre ele

Uma das experiências mais procuradas pelos visitantes de El Calafate é o trekking sobre o próprio glaciar. Existem duas modalidades: o Minitrekking, uma caminhada de aproximadamente 1 hora e meia sobre o gelo com grampones (grampos especiais para gelo), acessível para pessoas de 10 a 65 anos; e o Big Ice, uma expedição mais intensa de cerca de 3 horas e meia, restrita a aventureiros de 18 a 50 anos. Em ambos, os participantes caminham por entre crevasses azuladas, formações de gelo caprichosas e paisagens que parecem pertencer a outro planeta. Operadoras especializadas em excursões glaciares coordenam essas atividades com guias experientes e equipamento adequado.

7. O Parque Nacional Los Glaciares é Patrimônio da Humanidade desde 1981

A UNESCO reconheceu o Parque Nacional Los Glaciares como Patrimônio Mundial em 1981, tornando-o um dos primeiros sítios naturais da Argentina a receber essa distinção. Com 726.927 hectares de extensão, o parque protege não apenas o Perito Moreno, mas dezenas de outros glaciares como o Upsala, o Spegazzini e o Viedma, além de uma biodiversidade única que inclui condores, guanacos, pumas e florestas andino-patagônicas.

8. El Calafate deve seu nome a uma lenda patagônica

A cidade de El Calafate, porta de entrada para o glaciar, recebeu seu nome de um arbusto nativo da Patagônia cujas frutinhas azuladas são parecidas com mirtilos. Segundo a lenda local, quem come o fruto do calafate está condenado a voltar à Patagônia. É uma superstição que muitos viajantes fazem questão de testar — e, curiosamente, a maioria realmente volta. A cidade fica a apenas 80 km do glaciar pela Ruta Provincial 11, um percurso de cerca de uma hora e meia que atravessa a estepe patagônica com vistas ao Lago Argentino.

Com uma localização a 50° de latitude sul e um clima subpolar que desafia os visitantes com ventos intensos e temperaturas baixas mesmo no verão, o Glaciar Perito Moreno continua sendo um dos destinos mais extraordinários do planeta. Para quem planeja conhecer esse canto remoto do mundo, a temporada ideal vai de outubro a março, e calafate.tours é um ponto de partida confiável para organizar as excursões na região. Afinal, diante de uma geleira com milhares de anos de idade, é impossível não se sentir pequeno — e maravilhado.

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