Você já ouviu falar dos Querubins? Esses anjos misteriosos aparecem na Bíblia como guardiões da presença de Deus, cheios de luz e sabedoria.
Dizem que eles não apenas servem ao Criador, mas também revelam a Sua glória de um jeito que poucos conseguem compreender. Quem são, afinal, esses seres celestiais que despertam tanta curiosidade e simbolizam a conexão entre o divino e o humano? Neste texto, a gente te conta tudo.
Quem são os Querubins?
Os Querubins são seres misteriosos que aparecem na Bíblia cercados de luz, fogo e poder. Na hierarquia celestial, eles estão logo abaixo dos Serafins, o que já diz muito sobre a importância que ocupam diante de Deus.
A primeira vez que ouvimos falar deles é em Gênesis 3:24. Depois que Adão e Eva foram expulsos do paraíso, Deus colocou os Querubins armados com espadas flamejantes para guardar o caminho que levava à Árvore da Vida. Essa foi uma forma usada para impedir que o homem, agora caído, voltasse ao Éden. A passagem é a seguinte:
²⁴ E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.
Mas os Querubins não aparecem só como guardiões. Muitos trazem eles como seres espirituais que refletem a glória e a presença divina. Na Bíblia, estão associados ao trono de Deus, agindo como uma espécie de escolta celestial.
No livro do Êxodo, por exemplo, Deus ordena que duas figuras de querubins sejam colocadas sobre a Arca da Aliança, simbolizando Sua presença entre o povo de Israel.
Qual é a aparência dos Querubins?
A Bíblia não nos dá muitos detalhes como são os Querubins, mas o profeta Ezequiel teve uma visão que plantou uma certa curiosidade que permanece até hoje.
O profeta relata ter visto quatro dessas criaturas celestiais, e a cena foi tão complexa que, desde então, estudiosos e fiéis tentam compreender o que ele realmente quis dizer.
De acordo com Ezequiel, os Querubins tinham aparência semelhante à humana, embora com traços que iam muito além do comum (Ezequiel 1:5).
Seus pés lembravam os de um bezerro, brilhando como se fossem de bronze polido (Ezequiel 1:7), e sob suas asas havia mãos humanas, o que é interpretado como símbolo de ação e poder (Ezequiel 1:8).
Mas talvez o detalhe mais curioso seja o fato de cada um possuir quatro rostos diferentes: o de um homem, um leão, um boi e uma águia (Ezequiel 1:10).
Essas figuras não aparecem por acaso, uma vez que cada rosto parece representar um aspecto da criação e do poder divino: a inteligência humana, a força do leão, o trabalho do boi e a visão aguçada da águia.
Além disso, os Querubins tinham quatro asas: duas cobriam seus corpos, e as outras duas se estendiam, tocando as asas dos outros, formando uma espécie de unidade perfeita (Ezequiel 1:11).
Por fim, Ezequiel ainda descreve que seu brilho era intenso, como carvões em brasa, e o fogo se movia entre eles, irradiando luz e energia (Ezequiel 1:13).
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Quais as funções dos Querubins segundo a Bíblia?
Na tradição cristã, principalmente quando a gente vai para a perspectiva católica, eles ocupam um papel de muito destaque entre os coros celestiais, exercendo funções que vão muito além da simples contemplação de Deus.
Uma das principais atribuições dos Querubins é adorar e louvar o Criador. Eles são retratados como guardiões da santidade divina, perpetuamente envolvidos em glorificar e exaltar a majestade de Deus.
Sua adoração é pura, constante e sem distrações, o que seria um reflexo do amor perfeito que habita no céu.
Além disso, os Querubins também aparecem como protetores. Desde o relato de Gênesis, quando guardam o caminho que leva à Árvore da Vida, eles simbolizam a vigilância divina sobre aquilo que é sagrado.
A gente pode entender essa função de guarda espiritual como uma forma de proteger a criação e os fiéis, o que constrói o equilíbrio entre o divino e o terreno.
Por fim, ainda vale ressaltar que outra função atribuída a eles é a de mensageiros, portadores da sabedoria e da vontade de Deus. Embora essa tarefa também seja compartilhada com outros anjos, os Querubins são vistos como intermediários da revelação, instrumentos pelos quais a presença divina se manifesta ao mundo.
Quantos Querubins existem?
A verdade é que ninguém sabe exatamente quantos Querubins existem. A Bíblia não revela um número definido, o que pode significar que eles pertencem a uma esfera celestial muito além da nossa compreensão humana.
O que sabemos é que são inúmeros e cada um cumpre um propósito divino.
Ao longo da tradição, especialmente na literatura mística e nos estudos angelológicos, alguns nomes ganharam destaque entre os Querubins. Entre eles, estão:
- Hekamiah – conhecido como “Deus que constrói o universo”, simboliza a ordem e a harmonia divina que sustentam toda a criação.
- Aladiah – “Deus propício”, associado à graça, ao perdão e à restauração espiritual.
- Leuviah – ou “Deus louvado e exaltado”, representa o louvor contínuo e a elevação da alma diante da presença divina.
- Haziel – “Deus de misericórdia”, ligado à compaixão e à bondade infinita de Deus.
- Iezalel – “Deus glorificado”, símbolo da fidelidade e da união espiritual.
- Mebahel – “Deus conservador”, guardião da justiça e da proteção contra o mal.
- Hariel – “Deus criador”, expressão da pureza e da inspiração divina que dá origem à vida.
Qual a diferença entre os Querubins e os Serafins?
Tanto os Querubins quanto os Serafins ocupam posições importantes na hierarquia celestial. Eles são citados na Bíblia como anjos ligados à presença e à glória de Deus.
Ambos expressam adoração e reverência ao Criador, mas suas funções e simbolismos apresentam diferenças.
Os Querubins são apresentados como guardiões da santidade divina. Eles aparecem em momentos em que o sagrado precisa ser protegido, como no Jardim do Éden, após a expulsão de Adão e Eva, quando guardam o caminho para a Árvore da Vida.
Como a gente já viu, eles representam a sabedoria, a vigilância e o zelo pela glória de Deus. Em muitas passagens, são descritos como próximos do trono celestial, sustentando ou cercando a presença divina.
Já os Serafins são apresentados como anjos de adoração intensa e pura, que habitam ao redor do trono de Deus, proclamando continuamente: “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6:3).
Eles possuem seis asas, duas para cobrir o rosto, duas para cobrir os pés e duas para voar, o que pode ser interpretado como humildade, respeito e prontidão para servir.
Enquanto os Querubins estão mais ligados à proteção e ao mistério da presença divina, os Serafins se relacionam diretamente com a adoração e a manifestação do amor ardente de Deus.
Sendo assim, a gente pode afirmar, em outras palavras, que os Querubins guardam o sagrado; os Serafins o exaltam.
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