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Albert Einstein no Brasil: por que ele não gostou do país?

Albert Einstein foi um dos cientistas mais importantes do século XX e, em 1925, deu uma série de palestras na Argentina, Uruguai e Brasil.

Uma das principais curiosidades sobre Albert Einstein, que poucas pessoas sabem, é sobre sua visita ao Brasil. Mas, por que ele veio a América do Sul e por que ele não gostou do país?

Em suma, a viagem aconteceu porque, em 1922, Einstein juntou-se a Marie Curie e Hendrik Lorentz para assumir um cargo no Comitê Internacional de Cooperação Intelectual da Liga das Nações; órgão precursor da UNESCO.

E, em uma reunião do Comitê, ele se deparou com um jornalista e escritor argentino chamado Leopoldo Lugones, que lhe implorou para dar uma palestra em seu país natal. Einstein aceitou e, com apenas seu fiel violino como companhia, partiu de Hamburgo em 5 de março de 1925.

Na primavera daquele ano, Albert Einstein embarcou em uma extensa turnê de palestras pela Argentina antes de seguir para o Uruguai e o Brasil. Com efeito, em seu diário de viagem, o cientista registrou suas impressões imediatas e reflexões as pessoas que encontrou e os locais que visitou.

No entanto, nem tudo são boas notícias, já que Einstein não gostou de algumas coisas do Brasil em sua jornada a América do Sul. Vamos saber tudo sobre essa visita icônica e o que Albert Einstein não gostou em sua passagem pelo país.

15 fatos sobre a visita de Albert Einstein ao Brasil

Primeiras impressões

1. Einstein viajou da Europa em um navio que fez escalas na Espanha e Portugal, parando por algumas horas no Rio de Janeiro e Montevidéu antes de atracar em Buenos Aires em 24 de março de 1925.

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2. Chegando à escala no Rio, Einstein foi recebido por “um rabino e outra pessoa, além de alguns engenheiros e médicos”, conta o cientista nos diários, que fazem parte do Arquivo de seus documentos mantido pela Universidade Hebraica de Jerusalém .

3. Em sua primeira impressão do Brasil, o cientista comentou que “tudo vive e prospera, por assim dizer, diante de nossos olhos”, segundo páginas do diário publicadas em alemão e em tradução para o inglês pela Universidade de Princeton.

4. “A mistura de pessoas nas ruas não tem preço”, continuou o cientista, que viu no Rio “portugueses, índios, negros, com todas as nuances possíveis”.

5. Na parada do navio na cidade brasileira, ele viveu “uma experiência maravilhosa, uma abundância indescritível de impressões em poucas horas”.
Posteriormente, a escala em Montevidéu “ao meio-dia”, onde foi recebido por “jornalistas e outros judeus de diversos tipos”, segundo classificou o cientista.

Retorno ao Brasil

6. No dia 4 de maio, ele finalmente voltou ao Rio para sua visita oficial, onde ficou uma semana. Lá, como em Buenos Aires e Montevidéu, Einstein se reuniu com líderes judeus e sionistas e com os mais altos dignitários locais.

7. No dia 6 deu uma conferência no Clube dos Engenheiros, onde ele não gostou do barulho exterior ao afirmar que “a comunicação era impossível por razões acústicas” derivadas dos “ruídos” vindos da rua.

8. “Pouco sentido científico” fez este encontro para o físico alemão. Tão pouco que provocou um daqueles comentários politicamente incorretos: “Aqui, sou uma espécie de elefante branco para os outros”, observou, “e eles são como macacos para mim”.

9. “À noite, sozinho no hotel, no meu quarto, nu, aprecio a vista da baía com inúmeras ilhas de pedras verdes e parcialmente descobertas à luz da Lua…”, foi assim que terminou o dia do cientista no Rio.

10. A visita do Rio de Janeiro também foi exaustiva. Em poucos dias, Albert Einstein visitou um asilo para doentes mentais, um instituto de biologia, a federação sionista local, um observatório de climatologia, a Academia de Ciências e o Museu de História Natural, onde conversou com um professor que achou “interessante, mas um macaco de verdade”, um arqueólogo russo e um jornalista ” bonito, inteligente e um tanto arrogante”.

Opiniões sem filtro

11. No Rio, Einstein se reuniu com o general brasileiro Cândido Rondon, primeiro diretor da Funai (Fundação de Proteção ao Índio) e depois reconhecido como defensor dos direitos dos indígenas.

12. O impacto que Rondon teve em Einstein foi tamanho que o físico escreveria mais tarde uma carta ao comitê norueguês do Nobel pedindo que considerassem o brasileiro para o prêmio da Paz.

13. “Quando este pequeno bilhete chegar a você, já estarei em Montevidéu ou no Rio, de onde partirei, no dia 12 de maio, de volta a Hamburgo”, escreveu Einstein a sua esposa Elsa e sua enteada Margot, de Buenos Aires, em1925.

14. Na América do Sul, disse-lhes, “minha agenda está imensamente cheia, mas sinto-me forte e indiferente ao povo”, acrescentou. “O que estou fazendo aqui”, ele admitiu, “provavelmente não é muito mais do que uma comédia.” O cientista também frisou que “Buenos Aires é uma cidade estéril do ponto de vista do romantismo e da intelectualidade, mas estou encantado com o Rio”.

15. Na capital argentina, ele disparou em outra carta para a esposa Elsa e Margot, “há muita gente boa entre os jovens”, mas lá, “em geral, nada além de dinheiro e poder contam, assim como na América do Norte”.

Como foi a viagem do cientista à Argentina?

Einstein classificou Buenos Aires como “uma cidade confortável e chata” com “gente delicada, olhar inocente, engraçado mas ‘clichê'”, pouco original aos olhos do cientista, que viu em a capital argentina, logo de saída, “luxo, superficialidade”.

Na Argentina, Albert Einstein passou várias semanas, deu doze palestras, reuniu-se com organizações judaicas e sionistas e foi recebido pelos mais altos funcionários locais.

Além disso, ele viajou para Córdoba e para a fazenda de um amigo em Llavallol, escreveu alguns artigos para o jornal La Press e escreveu em seus papéis impressões de viagens e ocorrências científicas, incluindo fórmulas muito longas.

Por fim, ainda em Buenos Aires, Einstein achava que a cidade era como uma “Nova York atenuada pelo Sul”. Quando se encontrou com um diretor da Universidade de La Plata, mais tarde ele o descreveu em seu diário como “um homenzinho elegante e falso com uma esposa análoga”.

Como foi a viagem de Einstein ao Uruguai?

O cientista alemão chegou a Montevidéu em 24 de abril de 1925. Ele foi convidado pela Universidade da República para proferir três palestras sobre “Fases gerais da teoria da relatividade”; que reuniram uma multidão que superou a capacidade locativa da instituição, reunindo para mais de 2.000 pessoas cada.

Einstein tinha mais um propósito em sua visita: conhecer pessoalmente Carlos Vaz Ferreira, escritor, filósofo e acadêmico uruguaio. O encontro aconteceu na praça hoje conhecida como Trinta e Três, onde desde 2008 um monumento comemora este importante momento.

Da mesma forma, uma delegação da comunidade judaica uruguaia recebeu Einstein (então com 46 anos, nascido na cidade alemã de Ulm em 1879) e conversou com ele sobre os diferentes problemas que afetavam os judeus naquela época.

Bibliografia

Academia Brasileira de Ciências (1925). “Professor Albert Einstein: sua visita ao Brasil e homenagens recebidas durante sua estada no Rio de Janeiro”. Rio de Janeiro: Tipo. Jornal do Comércio.

Agulla, Juan Carlos (1988). “Einstein na Argentina”. Todo es Historia , 247, 38–49.

Caffarelli, Roberto Vergara (1979). “Einstein e o Brasil”. Ciência e Cultura , v. 31, n. 12.

Então, achou interessante saber mais sobre esse tour de Einstein na América Latina? Pois, leia também: Albert Einstein foi alvo de cientistas nazistas que trouxeram ideias racistas

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