Saúde

Dismorfia do Zoom: transtorno de imagem sequela da pandemia

A preocupação com a nossa imagem projetada na tela ou a dismorfia do Zoom é uma realidade que tem aumentado nos últimos meses.

Você fica nervoso ou ansioso nas reuniões do Zoom porque acha que os outros verão suas imperfeições? As falhas podem ser mínimas ou imaginárias, mas, ainda assim, você as vê. Isso é conhecido como “dismorfia do Zoom”, um tipo de distúrbio dismórfico corporal.

A dismorfia corporal é um distúrbio de saúde mental no qual você não consegue parar de pensar em uma ou mais falhas percebidas, ou falhas na aparência, um defeito que parece menor ou que não pode ser visto pelos outros.

Isso pode causar sofrimento significativo e afetar sua qualidade de vida, tentando encontrar por diferentes meios, por exemplo, através de cosméticos, como corrigir esse defeito percebido.

O que é a dismorfia do Zoom?

Em suma, a dismorfia do Zoom é a preocupação com a nossa própria imagem projetada na tela. Durante a pandemia, e devido ao aumento de videochamadas e reuniões virtuais, esse tipo de preocupação aumentou exponencialmente.

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Isso se deve principalmente a duas razões: estar durante horas vendo a nós mesmos, ou acreditar que a tela mostra uma imagem de nós diferentes de como somos na realidade.

Além disso, soma-se a esse fenômeno o aumento do número de selfies que uma pessoa comum tira e o uso de filtros para embelezar a imagem. Toda essa combinação faz com que uma série de inseguranças possa ser desencadeada, acabando por prejudicar o bem-estar pessoal.

Como e por que acontece?

Um artigo do Hospital Geral de Massachusetts define esse novo conceito como a percepção distorcida que as pessoas têm de sua imagem após olharem repetidamente para si mesmas durante videochamadas.

Quando nos vemos no espelho, geralmente nos vemos estaticamente e geralmente colocamos nossa melhor cara. Mas, ao nos vermos em movimento diariamente, podemos não gostar tanto de nossos gestos, expressões faciais ou algumas de nossas características quanto pensávamos. E aí se origina o processo de dismorfia.

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Esse distúrbio pode causar ansiedade, angústia e impactar na qualidade de vida das pessoas que o sofrem, pois são obrigadas a solucionar esses defeitos percebidos, seja com cosméticos ou mesmo com tratamentos invasivos.

Diferenças entre dismorfia corporal, dismorfia do Snapchat e dismorfia do Zoom

A dismorfia corporal é um distúrbio de saúde mental que afeta a autopercepção do corpo. Assim, ela pode mudar a forma como nos vemos e nos percebemos e pode nos levar a insistir em “defeitos” que causam sofrimento intenso que causa desconforto e afeta a funcionalidade da vida diária.

Algo semelhante ocorre com a dismorfia do Snapchat. Os filtros que esta rede social usa para retocar fotos e vídeos tiveram efeitos perniciosos no equilíbrio emocional de muitas pessoas.

Contudo, ao contrário das selfies filtradas nas mídias sociais, o Zoom mostra uma versão não editada de você mesmo em movimento. É um autorretrato que poucas pessoas estão acostumadas a ver no dia a dia. Isso pode ter efeitos drásticos na insatisfação corporal e no desejo de buscar procedimentos estéticos.

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Como evitar?

É preciso fazer com que as pessoas entendam que as câmeras dos aparelhos eletrônicos não nos mostram como realmente somos. Que às vezes nos fazem parecer mais gordos, magros ou pálidos, mas isso não é algo real.

É por isso que não devemos nos preocupar muito com nossa aparência na tela, pois, se essas ideias se tornarem obsessivas, podem desencadear ataques de ansiedade e depressão.

Como tratar a dismorfia do Zoom?

O tratamento de qualquer tipo de dismorfia pode incluir terapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, medicação. Aliás, o intuito é converter a vergonha em autoaceitação, portanto, a autoestima também é trabalhada por meio da terapia.

Por fim, esse distúrbio, cujas causas não são específicas (embora o histórico familiar possa influenciar), também está relacionado a um déficit de autoestima.

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Fontes: Vitat, Mega Curioso, Vida Simples, El País, Fundacred, A mente é maravilhosa

Bibliografia

G. E. Berrios (1996). The History of Mental Symptoms: Descriptive Psychopathology Since the Nineteenth Century. Cambridge University Press. p. 277. ISBN 978-0-521-43736-3.
David Veale; Fugen Neziroglu (2010). Body Dysmorphic Disorder: A Treatment Manual. John Wiley & Sons. p. 32. ISBN 978-0-470-74378-2.

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