História

Madam CJ Walker – História, trajetória e adaptação

Madam CJ Walkerfoi a primeira mulher negra dos EUA a ficar milionária de forma autônoma. Criou uma marca de sucesso e deixou um legado.

Atualizado em 14/05/2020

Sarah Breedlove, mais conhecida como Madam CJ Walker, foi a primeira mulher negra dos Estados Unidos a ficar milionária por conta própria. Também foi a fundadora da Madam CJ Walker Laboratories que, primordialmente, era uma empresa de cosmética voltada para o cabelo afro.

Ela nasceu quatro anos após a abolição da escravidão no Estados Unidos, no dia 23 de dezembro de 1867. A título de informação, a abolição da escravidão no país ocorreu no dia 01 de janeiro de 1863.

Sarah, aliás, foi a primeira dos 5 irmãos a nascer livre. Seus pais, no entanto, foram escravizados.

Ela teve uma história de muita luta, superação e sucesso. Anos após o fim de sua vida, seu legado continua vivo dentre aqueles que conhecem sua história. Quem ainda não a conhece, pode passar a conhecer ao assistir a adaptação da Netflix, disponibilizada recentemente.

História

Biography

Em resumo, Sarah Breedlove nasceu em uma plantação de algodão, em Lousiana. Aos quatros anos, perdeu a mãe. Aos 7 anos, ficou órfã e teve que se mudar para a casa de sua irmã, no Mississipi. Por lá, ela trabalhou como doméstica e também em uma plantação de algodão.

Aos 14 anos, então, ela se casou para que pudesse escapar dos abusos e opressões do cunhado. Seu marido era Moses McWilliams, com quem teve sua única filha, aos 18 anos.

Aos 20 anos, Sarah ficou viúva e depois se casou novamente. Entretanto, se divorciou depois de um tempo.

Em seguida, se mudou para o Missouri e começou a trabalhar como lavadeira, ganhando pouco. Conheceu, nessa époac, Charles Joseph Walker, que trabalhava com anúncios de jornais. Por fim, se casou com ele em 1906, e passou a ser chamada de madame C.J. Walker, em inglês, Madam CJ Walker.

O começo do legado

NBC News

Sarah desenvolveu uma doença capilar que acabou a prejudicando, fazendo com que ela perdesse muito cabelo. Isso foi derivado de seu serviço como lavadeira, onde entrava em contato com diversos produtos tóxicos e prejudiciais para o saúde e dos quais ela acabou desenvolvendo alergia.

Como não existiam muitos produtos para que esse tipo de problema fosse resolvido, Madam CJ Walker começou a pensar de forma empreendedora. Inclusive, foi durante uma feira de produtos que ela conheceu Annie Malone.

Esta, aliás, era uma empresária negra, do ramo de produtos de cabelo, dona da chamada Poro Company. Sarah, então, começou a trabalhar com Annie e a aprender mais sobre o assunto.

Women’s Museum

Ela comparava fórmulas caseiras com feitos na indústria, colocando em prática sua experiência como lavadeira, além dos conhecimentos sobre produtos de limpeza. Este passaria a se chamar Método Walker; método esse que, de fato era bastante efetivo para o tratamento e manutenção dos fios capilares. Sarah usava os produtos de Annie e foi contratada como agente de vendas nessa época, em 1905.

Logo que se casou com Charles, ela lançou os primeiros cosméticos. Ela recebeu ajuda do marido para a publicidade e promoção. Ela ainda fazia vendas de porta em porta por todo o país, e ensinava mulheres negras a cuidar dos cabelos.

Pouco tempo depois, em 1910, Madam CJ Walker mudou seu negócio para Indianápolis. Em 1917, devido ao sucesso da marca, mais de 20 mil mulheres já tinham recebido o tratamento e a formação para se tornarem agentes de vendas.

O sucesso de Madam CJ Walker

Essence

Uma vez que conseguiu consolidar sua marca, Madam Walker começou a acumular uma fortuna. Ela, então, começou a fazer filantropia, ajudando em casa de idosos que permitiam pessoas negras; além de doações de bolsas de estudos. Criou convenções e clubes e doou quantidades significativas para a YMCA, instituição de Indianápolis, no ano de 1913. Madam CJ Walker passou a apoiar várias causas, entre elas, a luta contra o racismo.

Business Insider

Contou com a ajuda de algumas pessoas de confiança para dar prosseguimento à sua marca, como por exemplo, o advogado Freeman Briley Ransom. Que cuidava da marca Madam CJ Walker.

Ela também adquiriu uma mansão que foi construída em 1918. Vertner Tandy, o primeiro arquiteto negro registrado nos Estados Unidos, foi o responsável pelo projeto da construção.

A mansão, aliás, é enorme e ainda existe atualmente. Contudo, hoje a casa é uma ONG, onde mulheres negras têm acesso a diversos tipos de estudos profissionalizantes. Estima-se que o valor da casa de Sarah, atualmente, se aproxime dos  4 milhões de dólares.

Eternização de Sarah Breedlove e a adaptação para a Netflix

madam walker
Tes

Sarah sofria de hipertensão e acabou falecendo em 1919, aos 51 anos de idade. Mesmo após sua morte, seu legado continuou por vários anos. Seus cosméticos, aliás, só pararam de ser produzidos em 1981.

Em 2016, um acordo foi iniciado para que a Beauty Walker, em parceria com a Sephora, continuasse a lançar cosméticos em homenagem à marca de Walker.

Depois disso, a neta de Sarah, A’Lelia Bundles, conseguiu concretizar o sonho de contar a história da avó. Ela já tentava a façanha há 50 anos!

A Netflix produziu uma minissérie de quatro episódios contando a vida pessoal, trajetória e vida profissional de Walker. Aliás, foi  livro escrito por A’Lelia que chamou a atenção da empresa de streaming.

New sone

Seu lançamento foi um sucesso e hoje está entre as adaptações mais populares da Netflix. Alguns eventos foram alterados para que a história ganhasse uma trama mais desafiadora, mas, no geral, se manteve bem fiel à realidade vivida por Sarah.

Contudo, algumas críticas foram negativas quanto ao modo que seu enredo foi montado. O principal comentário gira em torno de como a história de vida de Sarah foi usada. Alguns disseram que a Netflix fez um verdadeiro desserviço em relação à memória da empresária. Outros, entretanto, disseram que foi uma obra de arte necessária e leal.

Mas, no final das contas, você já pode assistir a adaptação na Netflix e tirar suas próprias conclusões.

E então? Gostou da matéria? Confira também: Códigos secretos da Netflix para assistir filmes escondidos na plataforma

Fontes: Revisa Pegn, Revista Galileu, Metrópoles, Metrópoles, Veja abril, Omelete, Correio braziliense

Imagens: Womens museum, Biography, New sone, NBC News, Essence, Business insider, Tes