Curiosidades

Rapanui: a história dos nativos da Ilha de Páscoa

Os Rapanui eram polinésios nativos da Ilha de Páscoa e foram responsáveis pela construção das estatuas Moai na região.

Por P.H Mota

Talvez você não conheça o povo Rapanui, ou Rapa Nui, nativos polinésios Ilha de Páscoa que compõem 60% da população da região. No entanto, eles são historicamente conhecidos pela produção de algumas das construções mais conhecidas e intrigantes do mundo. as estátuas Moais.

Se você não consegue se lembrar do que se trata só pelo nome, são aquelas cabeças de pedras gigantescas. Com o tempo elas ficaram tão populares que hoje em dia já ganharam o seu próprio emoji. Com essa não dá pra dizer que não são mesmo famosas, não é mesmo?

Porém, antes de falar mais das estátuas, precisamos entender um pouco da história desse povo.

Origem dos Rapanui

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De acordo com as histórias locais, o rei Hotu Matu’a sonhou com a Ilha de Páscoa por volta de 2.500 anos atrás. A partir daí, então, ele enviou 70 guerreiros em busca do local, acreditando que deveria morar ali.

Os guerreiros só chegaram lá depois de encontrar uma tartaruga e segui-la. Conforma a história, o animal foi responsável por levar o grupo a um lugar que batia com todas as descrições do rei em sua previsão. Dá pra acreditar?

A princípio, os próprios guerreiros exploraram o local sem dar notícias. Algum tempo depois, entretanto, voltaram para buscar o rei Hotu Matu’a e toda a comunidade que deu origem à vida dos Rapanui.

Mas antes, é importante que a gente esclareça uma coisa: a regia era formada por várias ilhas, sendo Ahu Moai a principal delas. Além disso, vale destacar que, apesar da lenda contar um episódio de milhares de anos atrás, o povoamento da região só aconteceu entre os anos de 400 e 800 dC.

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Depois do rei Hotu Matu’a, seus seis filhos foram responsáveis por formar as principais tribos locais. Cada uma delas, chamadas de Mata, era divida em Ure (clãs), comandado pelo descendente direto mais velho do rei.

Construção dos Moai

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Ao falar dos Rapanui, a gente não pode deixar de lado a principal herança cultural que eles deixaram para o mundo: a construção dos Moai. As estátuas gigantes representavam as cabeças dos ancestrais de cada clã e eram cultuadas como deuses.

O mais impressionante é que cada uma delas pode chegar a pesar mais de 70 toneladas e ter sete metros de altura. Para você ter noção, isso dá mais que a altura de uma casa!

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Sendo assim, você pode estar se perguntando como é que povos antigos conseguiam construir e transportar essas pedras gigantes e pesadas.

Os Moai eram esculpidos pelos Rapanui nas próprias pedras vulcânicas da região. Para que a construção fosse mais fácil, eles eram construídos deitados e, só depois de finalizar a parte da frente, começavam sua movimentação.

Para começar, os construtores colocavam pedras arredondadas por baixo da estátua, na intenção de deslizar a estrutura com facilidade. Em seguida, ele era colocado em pé com a ajuda das pedras e de uma quilha, para que a parte de trás também fosse trabalhada.

Rapanui e Moai

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Observando as culturas ao redor do mundo, acredita-se que a construção dos Moai seja algo exclusivo dos Rapanui. Para esse povo, era importante representar seus ancestrais por meio dessas estruturas, que podiam variar de tamanho e quantidade de detalhes de acordo com o poder e prestígio de cada figura. Além disso, a direção da face da estátua pode estar relacionada ao local em que o clã representado vivia

As estátuas também nos ajudam a entender melhor a importância da hierarquia para os Rapanui. Os registros históricos mostram que só as pessoas importantes ganhavam estátuas, mas não é só a partir daí. Você sabia que as estátuas Moai tinham diferenças peculiares de acordo com o status do homenageado?

Os reis, por exemplo, tinham um Pukao, estrutura vermelha de pedra semelhante a um chapéu sobre a cabeça. Além disso, o tamanho das unhas também fazia toda diferença. Isso porque quanto maior a unha, maior o indício de que a pessoa não precisava por a mão na massa, deixando tudo para seus subordinados. Alguém aí queria uma vida dessas?

História

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A gente sabe que a construção dos Moai era importante e ajudou os Rapanui a ficarem na história, mas a situação também trouxe problemas. Isso porque a tradição levou à superexploração dos recursos da ilha, causando um esgotamento em meados do século XVII. A partir daí, os clãs começaram lutas internas que resultavam na derrubada das estátuas.

Uma vez que cada monumento era um símbolo forte de cada clã, derrubar o símbolo era uma ofensa enorme dentro dos conflitos. Ao fim dessa era, todas estátuas Moai estavam derrubadas na região. Atualmente, aqueles que estão de pé passaram por restauração e foram reposicionados.

A era de guerra entre os clãs Rapanui teve muita escassez de recursos, mas também abriu espaço para novas formas de expressão política e religiosa. Foi nessa época, por exemplo, que os povos locais criaram a competição do Homem-Pássaro (ou Tangata-Manu).

Por meio da cerimônia, anualmente os clãs ofereceriam candidatos para novo líder do grupo. Cada um devia nadar da Vila de Orongo até a ilha Mutu Nui, onde capturavam um ovo da ave Manutara. O objetivo era ser o primeiro a retornar com um ovo intacto até a vila, recebendo o título de líder da ilha por um ano. Foi só assim, então, que outras tribos além ada Hotu Matu’a começaram a chegar ao poder local.

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Redução da população Rapanui

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Já no século XVIII, os Rapanui entraram com contato com europeus. Tudo começou quando o holandês Jacob Roggeveen chegou ali e levou novidades da descoberta para o continente. O evento, no entanto, deu início uma catástrofe que culminou na escravidão de cerca de um terço da população local.

Com o passar dos anos, acordos e pressões internacionais conseguiram resgatar 100 Rapanui da escravidão no Peru, mas somente 15 sobreviveram. E para piorar, eles ainda chegaram com doenças antes desconhecidas na região, o que provocou ainda mais mortes na ilha. Por causa disso, hoje em dia não existe nenhum Rapanui “puro”. Por conta das tensões locais, os Rapanui tentam lutar por restrições a imigração de chilenos do continente para a região.

Desde 1995, Rapanui é classificada como Patrimônio Natural da UNESCO.

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