Como surge o cheiro de chuva ou de terra molhada?

Você pode até não gostar de dias chuvosos e achar feio um céu cinza e com nuvens carregadas, mas é difícil ouvir alguém dizendo que não gosta do cheiro de chuva, não é mesmo? Isso porque, na grande maioria das vezes, esse cheiro nos remete às coisas boas da vida e nos deixam com uma sensação de tranquilidade.

Mas, afinal de contas, o que será que dá esse odor tão característico ao cheiro de chuva? Será que existe algo mais nessa composição entre a água que cai do céu e o solo?

Para responder isso, engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, resolveram estudar o que existe por trás do cheiro de chuva e como ele pode chegar tão longe, mesmo não tendo um odor específico. A resposta, como você vai ver é um pouco além do que a gente poderia imaginar.

Cheiro de chuva: nome oficial x origem

Segundo os estudiosos, a primeira coisa que se precisa saber é que o cheiro de chuva tem nome: petricor. Para quem não sabe, esse nome é uma união entre duas palavras gregas, petra (pedra) e ichor (o líquido que corre na veia dos deuses).

Com o auxílio de câmeras de alta velocidade, os pesquisadores descobriram que a causa do petricor não são muito diferentes das que causas que provocam o borbulhar de um corpo de refrigerante, por exemplo. Isso porque, quando as gotas de chuva se precipitam em velocidade baixa ou moderada, e atingem uma superfície porosa, como a terra, bolhinhas de ar acabam ficando presas nesses poros minúsculos e as bolhas são liberadas na superfície da água.

Como ele chega até nosso olfato?

O que acontece em seguida é que essas bolhas microscópicas acabam carregando consigo elementos aromáticos do solo na forma de aerossóis. Esse último nome, aliás, está ligado a partículas sólidas ou líquidas, tão minúsculas que podem ser dispersas como gás, poeira ou fumaça.

Assim, quando essas partículas estão suspensas no ar, elas acabam se espalhando pela vento na atmosfera. O problema é que, além dos compostos que forma o cheiro de chuvas, essas partículas também podem carregar consigo doenças vinculadas ao solo. É por isso, por exemplo, que algumas doenças conseguem ser mais virais com a chegada das chuvas.

Testes e resultados

Para chegar a essa conclusão, no entanto, foi preciso bastante esforço por parte dos estudiosos. Cerca de 600 experimentos, em 28 tipos de superfície (sendo 12 delas sintéticas e outras 16 em vários tipos de solos, como a terra, areia e assim por diante), foram realizados pela equipe.

Em um primeiro momento, os pesquisadores mediram a permeabilidade dessas superfícies, por meio da adição de água. Em seguida, eles testaram o impacto dos pingos em diversas velocidades e monitoraram ainda a libertação de aerossóis por meio das câmeras de alta velocidade.

O resultado da investigação foi que, quando o assunto é cheiro de chuva, fatores como velocidade da gota, permeabilidade do solo e geração de aerossóis estão intimamente ligados. Por outro lado, as condições em que mais partículas são espalhadas é quando os pingos de chuva não estão caindo nem muito rápido nem muito devagar, e quando o solo não está nem tão seco e nem tão molhado.

E as possíveis doenças?

Sobre a transmissão de doenças por esse mecanismo de “espirros” (digamos assim), os cientistas afirmam que realmente pode acontecer, mas esse não é um problema com o qual a gente deva se preocupar. Conforme os especialistas, contaminações dessa forma são raras e muito complicadas de serem evitadas, portanto, o certo mesmo é tocar a vida normalmente.

E aí, gostou de saber de onde vem aquele cheirinho bom da chuva? Agora falando em dias chuvosos, você pode gostar de ler também: Como evitar vidros embaçados em dias de chuva?

Fontes: Gizmodo, Revista Galileu, Mega Curioso