O que realmente diz o Feminismo?

Sem dúvida alguma você já ouviu o termo “feminismo” por aí. Até porque apesar de não ser um tópico recente, ele é super atual.

E por mais que muitos falem sobre o assunto, é fato que nem todos compreendem de fato sobre o que é que estão falando.

Por esse motivo, nós aqui da Segredos do Mundo resolvemos te explicar de uma maneira bem prática o que é esse movimento, e claro, o que é que ele realmente diz!

Confere só:

O que é e o que diz o Feminismo?

A primeira coisa que precisamos entender quando falamos nesse assunto é que o feminismo apesar de ser um movimento, não se resume a uma vertente única de pensamento.

Isso quer dizer que ele engloba movimentos políticos, ideológicos, sociais e filosóficos. De maneira clara e direta o feminismo pode ser compreendido como um movimento que luta pela busca do empoderamento feminino e a conquista da igualdade de gêneros.

A luta feminista assim como qualquer movimento se baseia em buscar soluções para um problema real: a supremacia patriarcal.

Para entendermos as raízes desse problema não basta olharmos a tudo aquilo que acontece a nossa volta. É preciso fazer uma verdadeira análise histórica e biológica da história do ser humano.

Não iremos entrar nesses méritos, mas de maneira resumida, podemos ressaltar que desde o surgimento da espécie humana, biologicamente o homem por motivos óbvios se sobrepuseram as mulheres.

Dentro do contexto do homem pré-histórico era comum o homem desempenhar um papel voltado para provisão de alimento e proteção do grupo, enquanto as mulheres desempenhavam a função reprodutiva.

Ao decorrer do desenvolvimento humano como espécie e como sociedade, ficou claro que esse formato primitivo já não mais fazia sentido.

Na nossa sociedade contemporânea por exemplo, a força de trabalho está pautada principalmente nas capacidades intelectuais de uma pessoa. Então meu caro leitor, responda mentalmente. Você acredita que homens e mulheres devem receber o mesmo salário para desempenhar as mesmas funções?

Se a sua resposta foi um sim, você já pode se considerar parcialmente feminista!

Diferentemente do que muitos pensam, o feminismo não prega a superioridade feminina sobre os homens. O movimento feminista busca por igualdade, uma vez que existem falhas e injustiças sendo cometidas todos os dias por conta do nosso contexto histórico-social.

Feminismo, Femismo e Machismo:

Toda vez que o assunto é a luta feminista o termo “machismo” surge quase que obrigatoriamente. Então vamos entender o que significa cada um desses termos?

Como explicado aqui no artigo, o Feminismo é a luta pega igualdade de gêneros e papéis dentro da nossa atual sociedade.

O Machismo por sua vez, é a crença e ideologia de que os homens são intelectualmente, fisicamente e integralmente superiores as mulheres. Ou seja, a existência do machismo é a causa da existência da luta feminista.

Agora se você já se deparou por aí, com mulheres que possuíam um verdadeiro discurso de ódio contra os homens, saiba que não se tratava de feministas, e sim de “femistas”.

O Femismo pode ser considerado o movimento similar ao Machismo que existe por parte de algumas mulheres. Neste caso, quem segue essa ideologia acredita que as mulheres são superiores ao gênero masculino.

Como podemos observar ambos os casos (machismo e femismo) trazem em suas ideologias discursos extremistas e pouco inteligentes.

Como surgiu o Feminismo?

Simone de Beauvoir, foi uma escritora, intelectual, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa.

Voltando agora ao movimento que nos interessa, saiba que tudo começou no final do século XIX e início do século XX. Os estudiosos da área definem que a história do movimento feminista pode ser dividida em 3 ondas.

A primeira delas se iniciou no final do século XIX. A primeira onda teve início no Reino Unido, Estados Unidos e alguns países da Europa.

Nessa ocasião as ativistas lutavam principalmente pela igualdade nos direitos contratuais, de propriedade, contra casamentos arranjados, contra o fato da mulher (e dos filhos) serem vistos como propriedades de seus maridos e principalmente pelo direito político feminino.

O direito ao voto foi um dos emblemas mais exigidos por essa primeira geração de mulheres. Apesar disso, algumas feministas como Voltairine de Cleyre e Margaret Sanger ainda nessa época, já defendiam a busca por direitos sexuais, reprodutivos e econômicos das mulheres.

O direito ao voto nesses países foi a grande primeira conquista do movimento. Em 1918 o “Representation of the People Act”, concedeu as mulheres que possuíam mais de 30 anos, e que possuíam uma ou mais casas o direito ao voto.

A segunda onda por sua vez, se iniciou na década de 1960, e era voltada para a luta da igualdade legal e social das mulheres. A terceira onda é considerada uma continuação da segunda e também uma crítica as suas falhas, e seria essa que estaria predominando até os dias de hoje.

Porque o Feminismo é importante?

Por mais que muitas pessoas acreditem que o movimento luta por direitos extras em relação ao gênero masculino, como esclarecemos aqui, o movimento se baseia na busca por igualdade.

Cynthia Semíramis criou um teste rápido que pode ajudar quem ainda tem alguma dúvida sobre as intenções e valores feministas, a compreender se de fato concorda ou não com elas.

Responda mentalmente as seguintes perguntas que seguem:

1- Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?
2- Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?
3- Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?
4- Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?
5- Você concorda que cuidar dos filhos é uma obrigação de ambos os pais?
6- Você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerir seu dinheiro e seus bens?
7- Você concorda que mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?
8- Você concorda que uma mulher não pode sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?
9- Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?
10- Você concorda que mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo?

Bom, se todas as suas respostas foram “sim”, você literalmente concorda com os ideias feministas!

É preciso ressaltar, que assim como em qualquer outro movimento, o feminismo não segue um livro de regras que dita o que pode ou não ser aceito no movimento.

O feminismo é uma luta, um discurso, uma causa. Por esse motivo é fato que existirão divergências de ideias entre integrantes do próprio movimento. Segundo Rookie Mag, em palestra do TED: “O Feminismo não é uma seita que reprime e excomunga quem quebra seus preceitos”.

Ser feminista não é não poder usar maquiagem, mas sim, se sentir confortável a usa-la apenas quando realmente desejar, e não por se sentir oprimida a sempre estar nos padrões.

Ser feminista não significa que você deve ou não depilar todo o seu corpo, mas sim, que essa é uma escolha sua e de mais ninguém.

Os pontos são muito mais simples e menos complexos do que a grande maioria das pessoas imaginam.

Agora é fato que a luta vai muito além do direito de se vestir ou se comportar da maneira que quiser. O movimento luta por direitos básicos que por incrível que pareça não são respeitados ou garantidos na prática pela nossa sociedade.

Há quem diga por exemplo, que o machismo não existe, e que o movimento feminista se baseia no vitimismo.

Confira agora, dados que foram coletados pelo Instituto Avon e Data Popular, que entrevistou 2.046 jovens de todas as regiões do país. E dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública:

– Todos os dias 135 mulheres são estupradas no Brasil.
– 48% dos homens acham errado uma mulher sair sozinha com amigos.
– 76% dos homens criticam mulheres que saem com mais de um parceiro.
– 80% dos homens acreditam que uma mulher não deve ficar bêbada em uma festa.
– 78% das mulheres já relataram ter sofrido algum tipo de assédio.
– 33% das mulheres já foram impedidas de usar alguma roupa pelo parceiro.
– 2% das mulheres entrevistadas confessaram já ter sofrido ameaças de cibervigança (divulgação de fotos íntimas).
– 12 mulheres ao menos, são assassinadas todos os dias no Brasil, em crimes de feminicídio.
– Mulheres recebem em média 27,1% a menos que os homens que possuem o mesmo cargo e executam a mesma função que elas.
– Até o ano de 2005, a Lei 11.106 do Código Penal Brasileiro estava em vigor, ela determinava que caso um estuprador se casasse com a sua vítima, o crime seria anulado.

Viu? Não é tão difícil entender o que diz e porque é que existe o tal do Feminismo! Mas e então querido leitor, qual é o seu posicionamento sobre o assunto? Conta isso e muito mais aqui embaixo pelos comentários!

Se você se interessou por esse assunto, descubra também, “O que uma sueca fez para provar que todo mundo pode usar camisinha”. 

Fontes: CartaCapital, Significados, CatracaLivre, Folha.Uol.