História

Como eram os vikings – História, características e fim dos guerreiros europeus

A sociedade viking é uma das mais exploradas pela cultura pop, ainda hoje em dia. Mas existe muita confusão sobre quem eram os vikings reais.

Atualizado em 09/10/2020

A sociedade viking foi destaque na história da Europa, a partir do fim do século VIII, na região da Escandinávia. Desde então, esses povos inspiraram várias histórias e lendas na região e, eventualmente, ganharam o mundo e a cultura pop. Muitas obras tentaram apresentar o lado real dos vikings, mas ainda há muitas controvérsias sobre eles.

A Era Viking durou cerca de 300 anos, indo até meados do século XI, quando os vikings foram convertidos ao cristianismo. Antes disso, no entanto, eles ficaram famosos por suas habilidades de navegação e guerra.

Hoje em dia, boa parte desses talentos são conhecidos, mas nem tudo que se diz sobre a sociedade viking era real. Afinal, como eram os vikings de verdade?

Características dos vikings

Como eram os vikings - a realidade por trás do povo quase mitológico
The Wrap

O geneticista evolucionário dinamarquês Eske Willerslev estudou a amostra de ossos de 442 esqueletos de 12 países diferentes, da Era Viking. Dessa maneira, o pesquisador foi capaz de extrair o DNA dos espécies e mapear algumas características.

Apesar de conhecidos como loiros altos, por exemplo, os vikings não era assim. Naturalmente, eles já tinham a aparência semelhante a dos atuais noruegueses e dinamarqueses, mas eram mais baixos e possuíam cabelo escuros, em sua maioria.

De acordo com a análise dos restos mortais, um nórdico atual tem uma média de 1,82 m de altura para homens e 1,68 m para mulheres. Já na Era Viking, a média era de 1,72 m e 1,59, respectivamente.

O fenótipo loiro também é um outro mito. Isso porque os vikings compartilhavam genes com povos europeus do sul e do leste, assim como com asiáticos. Ou seja, os vikings não eram um grupo étnico escandinavo, mas sim uma cultura.

Sociedade viking

Como eram os vikings - a realidade por trás do povo quase mitológico
Torvik

Ao invés de um grupo étnico bem definido, os vikings era uma espécie de cultura para a qual você poderia se converter. Dessa maneira, os grupos eram formados por pessoas diferentes com origem diferentes, unidas por um conjunto de crenças e regras sociais. Algo parecido é percebido hoje em dia em religiões como o islamismo ou o cristianismo.

Além de inclusivos, os vikings estava muito à frente da Europa cristã em questão de inclusão e organização social. As tarefas eram divididas entre homens e mulheres, mas ambos eram iguais perante a lei. Dessa maneira, apesar de responsáveis por atividades domésticas, as mulheres também podiam ser donas de terras e do próprio dinheiro, bem como solicitar divórcios.

As casas vikings eram construídas com madeira revestida de argila, com uma lareira no centro e uma chaminé no teto – sem janelas. Por causa disso, elas eram pouco arejadas, escuras e podiam ficar muito esfumaçadas.

No que se tratava a crenças, esses povos eram politeístas e adoravam vários deuses. Apesar de conhecido como mitologia nórdica, hoje em dia, o conjunto de crenças não tinha um nome definido e acabou  substituído pelo cristianismo com o tempo.

Guerreiros e piratas

Como eram os vikings - a realidade por trás do povo quase mitológico
Grunge

O nome viking tem origem no nórdico antigo, víkingr. Esta palavra, por sua vez, tem origem em vik, ou porto. Sendo assim, o nome do povo representa uma profissão, aquele que realiza atividades no porto. Originalmente, o termo era utilizado para nomear navegadores, comerciantes e viajantes, mas eventualmente foi aplicado aos exploradores que também saqueavam e matavam outras tribos.

Foi só em 793 que foi registrado o primeiro ataque viking, num mosteiro na ilha britânica de Lindisfarne, na costa nordeste da Inglaterra.

A princípio, as viagens serviam para pilhagem, que começaram a acontecer com maior frequência em várias regiões da Grã-Bretanha.

Expansão territorial viking

Como eram os vikings - a realidade por trás do povo quase mitológico
The Texas Viking

Ao fim do século VIII, o crescimento da população e a falta de terras obrigaram os vikings a partirem em busca de novas terras. A motivação, no entanto, é apenas parte da explicação.

Isso porque boa parte da estratégia de expansão teve motivação na busca por ouro e outras riquezas, como piratas. A fim de aumentar a riqueza, os invasores roubavam ou aplicavam taxas e impostos aos povos dominados, além de vender escravos sequestrados em outras invasões.

A princípio, as invasões começaram a acontecer aos reinos anglo-saxões da atual Inglaterra. Com o tempo, os vikings expandiram os ataques ara regiões da Escócia, Irlanda e País de Gales.

Algum tempo depois, também fundaram colônias na Islândia, Groenlândia e França, onde dominaram a Normandia. Os ataques chegaram até mesmo em regiões do leste da Europa, com controle de parte da Rússia.

Chegada dos vikings na América

Como eram os vikings - a realidade por trás do povo quase mitológico
BaVi

Cerca de 500 anos antes da chegada de Cristóvão Colombo à América, os vikings chegaram na costa do Canadá.

De acordo com dados da Saga dos Groenlandeses, o explorador nórdico Bjarni Herjólfsson estaria em expedição para a Groenlândia, mas acabou tendo a rota desviada e foi parar no Canadá, em 986. Apesar disso, Herjólfsson apenas contornou a terra descoberta e não pisou no continente.

O primeiro euroupeu a andar pela América (ainda sem esse nome) foi Leif Ericsson, que chamou a terra de Vinland (ou Vinlândia, a “Terra do Vinho”), logo após descobrir videiras silvestres.

Fim da Era Viking

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Historic UK

O declínio da sociedade viking está associado ao fim das invasões promovidas por esses povos. Em 1066, o rei Haroldo Hardrada, da Noruega, perdeu a Batalha de Stamford Bridge na Inglaterra e marcou o fim das invasões.

No entanto, há outros fatores determinantes que podem ser apontados como motivadores do fim da expansão do grupo. Entre eles, por exemplo, está a melhor preparação e resistência dos povos adversários.

Mas não foi só o fator militar que determinou o declínio. A parte cultural também foi de extrema importância, já que assimilados às culturas locais, os descendentes de vikings tinham menos contato com a cultura de origem. Ao mesmo tempo, essas novas sociedades foram consumidas pela doutrina cristã.

Fontes: Fatos Desconhecidos, Revista Galileu, Hiper Cultura

Imagens: Historic UK, National Geographic, Grunge, The Texas V, BaVi, Torvik, The Wrap