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Botar a mão no fogo – Origem da expressão e significado

A expressão é reproduzida até hoje e poucos sabem que ela se originou na Idade Média como um instrumento bizarro de tortura com fogo.

A expressão ‘pôr ou botar a mão no fogo’ remete a idade média, precisamente a um tipo de tortura. Na Idade Média, as queimadas eram usadas tanto como forma de tortura quanto como pena de morte.

Como forma de tortura, os pés das vítimas podem ser colocados no fogo ou presos em botas de metal que foram aquecidas, ou ainda amarrados a uma cadeira de ferro com um fogo aceso por baixo. Os instrumentos de tortura de metal eram frequentemente aquecidos antes de entrar em contato com o corpo da vítima. Então, líquidos queimados ou derretidos, como a cera, por exemplo, também eram usados. Neles, as vítimas eram forçadas a mergulhar as mãos ou até mesmo tê-los despejado em suas gargantas.

Fonte: Public Domain

Dessa forma, um tipo de punição ou pena de morte era a queima das mãos que gerou a expressão ‘botar a mão no fogo’, tem sua origem nesta época. Para explicar, os acusados de crimes como traição (heresia, blasfêmia, bem como bruxaria ou desobediência, que eram consideradas pelas igrejas cristãs uma traição contra Deus) sofriam cruéis tipos de tortura.

‘Botar a mão no fogo’

Adotando uma velha prática romana, a Igreja Cristã adotou a queima das mãos com óleo ou cera quente para punir os acusados de heresia. Em resumo, eram colocados panos e cera em volta das mãos do acusado e em seguida, o pano era incendiado. Consequentemente, a cera derretia e por vezes, causava graves queimaduras. Após três dias, quem saísse ileso, era considerado inocente e protegida por Deus. O ‘milagre’ de não ter às mãos queimadas, representava que o acusado confiava cegamente em Deus e na sua inocência, e por este motivo, teria sido salvo. Daí, a expressão botar a mão no fogo, ou confiar com absoluta convicção em alguém.

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Tortura e queima dos acusados de heresia

No Império Bizantino, a queima dos acusados foi introduzida como punição para os zoroastrianos por causa da crença errônea de que eles adoravam o fogo. O imperador cristão Justiniano ordenou a morte pelo fogo. Além disso,  ele confiscou de todos os bens pelo Estado como punição por heresia contra a fé cristã em seu império.

Em 1184, o Sínodo Católico Romano de Verona confirmou esta forma de punição, legislando que a queima seria a punição oficial por heresia, já que a política da Igreja era contra o derramamento de sangue. Também, era comum naquela época acreditar que o condenado não teria corpo para ressuscitar na vida após a morte, caso ele morresse queimado.

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As autoridades civis queimaram pessoas consideradas hereges durante a Inquisição medieval. O método de queimada também foi usado pelos protestantes durante a caça às bruxas na Europa.

Entre os indivíduos mais conhecidos a serem executados no fogo estavam Jacques de Molay (1314), Jan Hus (1415), Joana d’Arc (1431), William Tyndale (1536), Michael Servetus (1553), Giordano Bruno (1600). Além dos mártires anglicanos Hugh Latimer e Nicholas Ridley (ambos em 1555) e Thomas Cranmer (1556) que também foram queimados na fogueira.

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Por fim, com base nisso, surgiu a expressão ‘botar a mão no fogo’, que inclusive, é reproduzida até os dias atuais e poucos sabem que ela se originou como um instrumento bizarro de tortura.

Gostou de saber a origem dessa expressão? Então, não deixe de ler: 6 coisas que ninguém sabe sobre a Idade Média

Fontes: Gramática Net, Aventuras na História, Ser Curioso

Fotos: Public Domain

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