Ciência & Tecnologia

Cometa gigante está vindo em nossa direção [e pode ser o maior já visto]

O cometa gigante Bernardinelli-Bernstein é mais de 10 vezes o tamanho do meteorito que exterminou os dinossauros há mais de 65 milhões de anos.

No final de junho de 2021, os astrônomos Pedro Bernardinelli e Gary Bernstein anunciaram que haviam descoberto um cometa gigante. Na verdade, ele é tão grande que chegou a ser confundido com um planeta anão. E agora, após meses de monitoramento, os astrônomos conseguiram calcular corretamente seu tamanho e órbita.

Também chamado de cometa Bernardinelli e Bernstein, ele está viajando a uma velocidade média de 35,5 mil quilômetros por hora (km/h); e seu núcleo tem cerca de 150 quilômetros de largura.

Para colocar em comparação, seria pouco mais que a distância entre Recife e João Pessoa. Este cometa incomum fará sua maior aproximação do nosso Sol em 2031, mas você provavelmente precisará de um grande telescópio amador para vê-lo.

O cometa gigante, também conhecido como C/2014 UN271, é da borda do nosso sistema solar e vem se aproximando do nosso sol há milhões de anos.

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Este é também o cometa mais distante a ser descoberto em sua jornada de chegada, o que dará aos cientistas a chance de observá-lo e estudá-lo nos próximos anos. Vamos saber mais sobre ele neste artigo!

Como o cometa gigante foi encontrado?

O cometa Bernardinelli-Bernstein foi encontrado em seis anos de dados coletados pela Dark Energy Camera, localizada no Telescópio Víctor M. Blanco de 4 metros no Observatório Interamericano Cerro Tololo, no Chile.

Os dados coletados por esta câmera alimentam o The Dark Energy Survey, uma colaboração de mais de 400 cientistas em sete países e 25 instituições.

A câmera, também conhecida como DECam, está ajudando a mapear 300 milhões de galáxias no céu noturno. Contudo, também captura vislumbres de cometas e objetos transnetuinianos, ou corpos celestes gelados que residem nos arredores do sistema solar, além da órbita de Netuno .

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Bernardinelli e Bernstein usaram algoritmos do Centro Nacional de Aplicações de Supercomputação da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign para identificar objetos transnetunianos. Durante seu trabalho, os astrônomos rastrearam 32 detecções a um objeto.

O que é um cometa?

Cometas são corpos celestes gelados que foram expulsos do sistema solar quando os planetas gigantes se formaram e migraram para suas configurações atuais. À medida que os cometas se aproximam do nosso sol durante suas órbitas, seus gelos evaporam, criando sua aparência característica.

Os cometas incluem um núcleo, ou a sólida “bola de neve suja” em seu centro. Além disso, nuvens gasosas se formam ao redor do núcleo à medida que o gelo do cometa evapora.

Com efeito, o gás e a poeira evaporados também são empurrados para trás do cometa, criando duas caudas iluminadas pela luz solar. Essas caudas podem ter centenas ou até milhões de quilômetros de comprimento.

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De onde vem o cometa Bernardinelli e Bernstein?

Os astrônomos estimam que a jornada do cometa começou a mais de 6 trilhões de quilômetros de distância do Sol, ou 40.000 unidades astronômicas. A distância entre a Terra e o Sol é uma unidade astronômica. Para referência, Plutão está a 39 unidades astronômicas do sol.

O cometa veio da nuvem de objetos de Oort, um grupo isolado de objetos gelados que estão mais distantes do que qualquer outra coisa em nosso sistema solar. Aliás, os cientistas acreditam que é de onde vêm os cometas, mas nunca observaram um objeto dentro da Nuvem de Oort.

A Nuvem de Oort está localizada entre 2.000 e 100.000 unidades astronômicas do sol. Eventualmente, naves espaciais da NASA como Voyager 1 e 2, bem como New Horizons chegarão à Nuvem de Oort. Mas quando o fizerem, suas fontes de energia estarão mortas por séculos.

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Quando ele se aproximará da terra?

O cometa Bernardinelli-Bernstein está atualmente a cerca de 3 bilhões de quilômetros de distância – aproximadamente a distância de Urano ao Sol – e em seu ponto mais próximo da Terra será em 2031, será um pouco mais do que a distância de Saturno ao Sol.

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“Temos o privilégio de ter descoberto talvez o maior cometa já visto – ou pelo menos maior do que qualquer outro bem estudado – e capturá-lo cedo o suficiente para que as pessoas o observem evoluir à medida que se aproxima e aquece”, disse Bernstein em comunicado. “Ele não visita os planetas há mais de 3 milhões de anos.”

Desse modo, esta oportunidade incomum de estudar um cometa de entrada permitirá aos astrônomos a chance de entender melhor a origem e a composição do cometa.

10 curiosidades sobre o cometa gigante

1. O cometa Bernardinelli-Bernstein é 1000 vezes maior que seus irmãos habituais e estima-se que tenha entre 100 e 200 quilômetros de diâmetro.

2. A Nuvem de Oort é a região mais distante do sistema solar, acredita-se que seja uma concha esférica de pedaços gelados de detritos espaciais que são do tamanho de montanhas.

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3. A órbita do cometa é perpendicular ao plano do Sistema Solar e, quando atingir seu ponto mais próximo do Sol – o periélio – estará a cerca de 11 unidades astronômicas de distância.

4. Apesar de seu tamanho e proximidade com a nossa estrela mais próxima, os astrônomos amadores só poderão vê-la com um grande telescópio em 2031.

5. O núcleo do cometa gigante é cerca de 50 vezes maior que os de outros cometas e tem uma massa estimada de 500 trilhões de toneladas, que é 100.000 vezes maior que a massa de um cometa típico.

6. O cometa está se movendo a 235,5 mil km por hora da borda do nosso sistema solar e fará sua maior aproximação de nós em 2031.

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7. Em janeiro de 2022, pesquisadores usaram o Telescópio Espacial Hubble para tirar cinco fotos do cometa.

8. Em alguns milhões de anos, a órbita do Cometa Bernardinelli-Bernstein o devolverá à Nuvem de Oort.

9. O cometa experimenta uma órbita oval de 3 milhões de anos. Está agora a menos de dois bilhões de quilômetros do nosso sol.

10. Por fim, os astrônomos esperam que o estudo do Cometa Bernardinelli-Bernstein possa revelar mais sobre a Nuvem de Oort, hipotetizada pela primeira vez pelo astrônomo holandês Jan Oort em 1950.

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Então, gostou de saber mais sobre esse gigante celeste recém-descoberto? Pois, leia também: Superluas, conjunções e eclipses: 10 motivos para olhar para cima e apreciar o céu em 2022

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