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10 fatos para entender o conflito entre Rússia e Ucrânia e como ele afeta o Brasil

A escalada da crise entre Rússia, Ucrânia e Otan pode ter um impacto significativo na economia do Brasil, segundo analistas. Entenda as origens desse conflito.

O conflito na fronteira Rússia-Ucrânia continua enquanto a Rússia lança novos exercícios militares e estaciona mais de 100.000 soldados por lá.

Diplomatas da Rússia, Estados Unidos e outros membros das Nações Unidas estão trabalhando para evitar uma invasão e, embora a Rússia diga que não está planejando uma, continua sendo uma possibilidade.

Em suma, o conflito remonta a décadas, e especialistas dizem que é mais complicado do que apenas uma disputa por uma fronteira terrestre. Vejamos a seguir os principais fatos para entender as origens dessa história.

10 fatos para entender o conflito entre Rússia e Ucrânia

1. Tensão entre os países

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que não quer que a Ucrânia se junte à Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou OTAN – uma aliança militar defensiva formada após a Segunda Guerra Mundial.

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Durante a Guerra Fria, isso significava proteger seus países membros democráticos da União Soviética. Putin também pressiona contra a expansão da OTAN, especialmente tão perto de sua fronteira.

2. Atual posicionamento da Ucrânia

A Ucrânia, que compartilha fronteiras com a União Europeia e a Rússia, tem ido e vindo em sua política desde que a União Soviética se separou. parte oriental do país tende a ser mais pró-russa, enquanto o lado ocidental tende a ser mais pró-ocidental.

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Ademais, Putin tem tentado aumentar sua esfera de influência pressionando a Ucrânia a não aderir à OTAN. Alguns países ocidentais, por outro lado, pressionaram para que a Ucrânia se juntasse à OTAN. Outros disseram que a Ucrânia deveria permanecer neutra ou ter o poder de escolher suas próprias associações como bem entenderem.

3. Origem do conflito entre Rússia e Ucrânia

O que está acontecendo agora é apenas o desenrolar do que começou em 2014 com a invasão da Crimeia, e mesmo antes disso.

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A Ucrânia, que fez parte do império russo por séculos antes de se tornar uma república soviética, conquistou a independência quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) se desfez em 1991. Ela mudou seu legado imperial russo e forjou laços cada vez mais estreitos com o Ocidente.

A decisão do presidente ucraniano Viktor Yanukovych, de inclinação do Kremlin, de rejeitar um acordo de associação com a União Europeia em favor de laços mais estreitos com Moscou levou a protestos em massa que o removeram do cargo de líder em 2014.

A Rússia respondeu anexando a Península da Crimeia, na Ucrânia, e apoiando uma rebelião separatista que eclodiu no leste da Ucrânia.

Como resultado, a Ucrânia e o Ocidente acusaram a Rússia de enviar suas tropas e armas para apoiar os rebeldes. Moscou negou isso, dizendo que os russos que se juntaram aos separatistas eram voluntários.

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De acordo com Kiev, mais de 14.000 pessoas morreram nos combates que devastaram Donbas, o centro industrial do leste da Ucrânia.

4. Disputa pela fronteira da Crimeia

Ao fugir do país, Yanukovych deu a Putin a oportunidade de enviar tropas para a Ucrânia, eventualmente assumindo o controle da Crimeia.

Com efeito, a contínua existência e expansão da OTAN, apesar do colapso da União Soviética, passou a ser vista como uma ameaça pela Rússia. Portanto, Rússia e Ucrânia têm laços culturais, e Putin quer que continue assim.

Na mente dos russos, a Ucrânia tem uma história profunda ligada à Rússia. Aliás, muitos costumavam se referir a ela como “Pequena Rússia”. A Crimeia, por exemplo, fazia parte da Rússia até 1954, quando foi transferida da Rússia para a Ucrânia.

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Na época, era simbólico porque ninguém pensava que a União Soviética entraria em colapso, segundo especialistas.

5. Possível invasão russa

Se Putin levar a sério a invasão, isso poderia levar a um grande conflito europeu. Mas até isso depende de como pode ser uma invasão russa.

Uma possibilidade é um conflito “relativamente pequeno” que terminaria empurrando as linhas de frente atuais – perto da Crimeia – um pouco mais a oeste.

Outra possibilidade seria construir uma ponte terrestre entre a Crimeia e o resto da Ucrânia, ligando a parte da Ucrânia que tende a ser pró-Rússia.

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6. Consequências econômicas para a Rússia

Economicamente, no entanto, uma invasão em grande escala pode significar ainda mais sanções contra a Rússia, inclusive contra seus maiores bancos e instituições financeiras. Portanto, cada cenário tem riscos para Putin, e ele certamente está fazendo esses cálculos.

7. Participação dos Estados Unidos

Os Estados Unidos e seus aliados pediram que a Rússia desmilitarizasse a fronteira, mas estão enviando tropas para a região.

Em resposta, altos funcionários russos sugeriram em janeiro que a inferência dos Estados Unidos ou da OTAN na Ucrânia poderia levar ao envio de forças russas para Cuba ou Venezuela.

Se a Rússia cumprir sua ameaça, não será a primeira vez que Moscou realizará exercícios militares em Cuba ou na Venezuela. Durante a Guerra Fria, a Rússia colocou ogivas nucleares a apenas 90 milhas da costa dos EUA durante a crise dos mísseis cubanos de 1962 .

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Mais recentemente, enviou tropas para a Venezuela em 2019 em um movimento que foi visto como um sinal de apoio ao regime de Maduro contra uma possível ação dos EUA.

8. Há uma guerra imininente?

A Rússia nega ter planos de invadir a Ucrânia e acusa o Ocidente de agravar a situação. Portanto, é incerto se a guerra vai eclodir entre os dois países, mas alguns analistas dizem que a Rússia pode se aproximar da Ucrânia para reivindicar uma vitória rápida e decisiva e aumentar seu poder de barganha em futuras negociações sobre a expansão e as esferas de influência da Otan.

9. O que acontece se a Rússia invadir a Ucrânia?

As nações ocidentais deram seu apoio à Ucrânia, mas algumas respostas foram mais duras do que outras. Os EUA e o Reino Unido forneceram armas, enquanto a Alemanha planeja enviar uma instalação médica de campo no próximo mês, mas não transferirá equipamentos militares. Também se falou muito em sanções destinadas a punir Moscou.

10. Como o conflito afeta o Brasil?

Se a Rússia pretende invadir a Ucrânia como um alerta para os Estados Unidos e seus aliados, isso terá consequências indiretas para países que não estão envolvidos no conflito, mas têm parcerias comerciais com russos ou ucranianos, principalmente especialistas.

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Desse modo, o Brasil será afetado principalmente pela economia, e o impacto mais significativo será a maior pressão sobre a inflação. Aliás, os principais produtos que o Brasil importa da Rússia estão ligados à agricultura, principalmente fertilizantes.

Ainda de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o país negociou um total de US$ 2,7 bilhões (R$ 14,3 bilhões) em produtos russos em 2020. Desse total, US$ 53,6 milhões (R$ 285,6 milhões) foram gastos na importação de óleos combustíveis.

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