Saúde

HIV tem cura? Quais tratamentos estão sendo estudados para curar a AIDS

Recursos como tempo, esforço e dinheiro estão sendo investidos em pesquisas para encontrar a cura para o HIV; veja as mais promissoras.

Globalmente, 38 milhões de pessoas vivem atualmente com HIV, e estima-se que 36 milhões morreram de doenças relacionadas ao HIV desde a década de 1980, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS).

Com o tempo, o HIV pode evoluir para a síndrome da imunodeficiência adquirida, ou AIDS, uma condição crônica e potencialmente fatal. Mas, HIV tem cura? É a isso que a medicina vem se dedicando nos últimos anos.

As pessoas diagnosticadas com HIV geralmente tomam medicamentos antirretrovirais para manter o vírus sob controle, mas o HIV ainda tem a capacidade de iludir os antirretrovirais, permanecendo inativo em células chamadas células T CD4 +.

Embora uma pessoa vivendo com HIV possa suprimir o vírus com antirretrovirais, não há cura. Uma cura para o HIV seria a erradicação total do vírus do corpo. No entanto, esta não é a única opção que os cientistas estão analisando. Aqui estão algumas das abordagens e tratamentos que os cientistas estão procurando para a cura do HIV.

5 tratamentos que estão sendo estudados para curar HIV

1. Técnica ‘shock, kill and supress’

O HIV se esconde nas células reservatório do corpo e pode permanecer silencioso enquanto o paciente fizer terapia antirretroviral. Assim que um paciente para de tomar antirretrovirais (ARTs), o vírus do reservatório acorda e começa a se replicar em todo o corpo novamente.

No entanto, o tratamente “shock, kill and supress”, que consiste em reverter o estado de latência das células-reservatório (shock), melhorar a capacidade de clearance das células infectadas (kill) e impedir a infecção de novas células durante esse processo (supress); iria ‘acordar’ esses reservatórios para ativar o vírus silencioso.

Embora contra-intuitivo, a ideia é acordar todos os vírus e matar todas as células ativadas, destruindo o reservatório de uma só vez. Se um vírus sobreviver, há sempre o risco de que ele possa se duplicar e o vírus retornar.

Atualmente, os cientistas identificaram drogas que irão atuar exatamente dessa forma nas células silenciosas do reservatório. O próximo desafio é identificar uma droga ou método que possa posteriormente destruir essas células infectadas e evitar células saudáveis.

Ao destruir células no corpo, há sempre o risco de que os medicamentos tenham como alvo as células saudáveis, portanto, esta pesquisa é feita com cuidado para evitar danos desnecessários.

2. Técnica de bloqueio

A técnica de bloqueio tem a abordagem oposta ao tratamento descrito acima. Este método visa aprisionar o HIV em sua célula reservatório para que ele nunca possa ser reativado. Enquanto o vírus ainda está presente no corpo, ele é aprisionado para que não possa escapar de sua célula hospedeira e; portanto, não pode ser replicado.

Esta técnica está sendo analisada como uma alternativa a técnica ‘shock, kill and supress’ . Os cientistas estão atualmente testando as habilidades das drogas para prender efetivamente o HIV em uma célula hospedeira sem interromper o material genético de células não infectadas.

Idealmente, um medicamento bloquearia o HIV e, em seguida, esgotaria o reservatório, de modo que não houvesse possibilidade de o vírus retornar. As questões atuais que estão sendo pesquisadas são as drogas que não bloqueiam o HIV com força suficiente.

3. Transplante de células-tronco

Depois que Timothy Ray Brown, também conhecido como o ‘paciente de Berlim’, foi curado do HIV depois de receber um transplante de células-tronco, a ciência apresentou recentemente um novo caso de sucesso.

Uma paciente norte-americana com leucemia se tornou a primeira mulher e a terceira pessoa a ser curada do HIV após receber um transplante de células-tronco de um doador que era naturalmente resistente ao vírus que causa a AIDS.

Em suma, os pacientes do estudo primeiro passam por quimioterapia para matar as células imunológicas cancerígenas. Os médicos então transplantam células-tronco de indivíduos com uma mutação genética específica na qual não possuem receptores usados ​​pelo vírus para infectar células.

Os cientistas acreditam que esses indivíduos desenvolvem um sistema imunológico resistente ao vírus da AIDS.

No entanto, os transplantes de células-tronco são perigosos, caros e exigem doadores muito específicos, caso contrário o corpo pode rejeitar as novas células. Mas, certamente o transplante de células-tronco pode ser uma via convencional para a cura do HIV.

4. Tratamento com antirretrovirais

Foi demonstrado que o tratamento do vírus da AIDS nas primeiras 48 horas de exposição pode reduzir significativamente o tamanho do reservatório de HIV escondido no corpo.

Este método é adequado para certas pessoas (por exemplo, recém-nascidos de mães soropositivas), mas não funcionará para todos. Em bebês nascidos de mães HIV-positivas, aqueles que iniciaram TARV dentro de 6 a 12 meses após o nascimento tiveram taxas de mortalidade reduzidas e um reservatório de HIV menor.

No entanto, muitas pessoas não têm acesso ao tratamento de HIV suficientemente cedo e muitas pessoas não percebem que têm HIV até meses após serem expostas pela primeira vez. Esta é outra razão pela qual é importante fazer um teste de HIV regularmente para que você sempre saiba seu status e possa agir rapidamente se for infectado.

No geral, os pesquisadores acham que os ARTs sozinhos não farão uma estratégia de cura. Em vez disso, os ARTs podem fazer parte de um pacote de cura, com testes que envolvem combinações de antirretrovirais, sal de ouro e nicotinamida e coquetel em apenas 1 único medicamento.

5. Tratamento com vacina

Embora tecnicamente seja uma forma de prevenção e não uma cura, a vacinação seria uma ferramenta poderosa para vencer o HIV. Muitos testes com vacinas contra o HIV foram feitos, mas apenas um teve resultados significativos.

Ele é chamada de teste RV144, que começou em 2003, na Tailândia. Um grupo de voluntários recebeu a vacina experimental que foi testada para HIV três anos depois. Dos voluntários, a taxa de HIV foi 31% menor no grupo que recebeu a vacina em comparação com aqueles que receberam o placebo.

Este estudo deu aos cientistas esperança de que poderia haver uma possibilidade de uma vacina. No entanto, a cepa do HIV vista na Tailândia é diferente da cepa que circula na África Subsaariana, portanto, o protótipo da vacina precisa ser ajustado às cepas do vírus mais comuns na África do Sul.

Ademais, existem outros projetos para criar um imunizante, porém, é complicado criar uma vacinação duradoura. Vale lembrar que muitas doenças no passado foram quase ou se não totalmente erradicadas, graças às vacinas: poliomielite, caxumba, varíola, tétano e sarampo, para citar algumas.

Por que a cura do HIV ainda é um desafio para a ciência?

A razão pela qual o vírus causador da AIDS é tão difícil de curar em primeiro lugar tem a ver com a maneira como o vírus pode se esconder no corpo. Quando o vírus ataca, ele se incorpora ao DNA da célula – seu genoma.

A partir daí, ele sequestra o funcionamento interno da célula para se replicar, produzindo mais vírions (partícula de vírus que se encontra fora de uma célula hospedeira) de HIV que atacarão mais células. É aqui que os medicamentos antirretrovirais podem intervir, bloqueando certas partes desse processo.

Mas às vezes o HIV ataca, incorpora-se ao genoma e apenas espera. Lá, latente, está a salvo do sistema imunológico e dos medicamentos antirretrovirais.

Pesquisas recentes sugerem que esta é uma adaptação do vírus para impedir a detecção. Por fim, trata-se de uma guerra ininterrupta entre o vírus da AIDS e o sistema imunológico.

Referências

Kiem HP. Preparando o cenário para o uso de terapia celular e genética para melhorar o controle ou erradicação do HIV.

Adair J & Kityo C. Visão geral das estratégias para levar terapias celulares e genéticas a partes do mundo com recursos limitados.

SHADYAB, Alladin H.; HALE, Braden R.; SHAFFER, Richard A. HIV/AIDS Securitization: Outcomes and Current Challenges. Current HIV Research. Vol 15. 2 ed; 78-81, 2017

PENNET, Oliver; YADAV, Swati S.; SUNG AN, Dong. Stem Cell–Based Therapies for HIV/AIDS. Adv Drug Deliv Rev. 187-201, 2016

MINISTÉRIO DA SAÚDE. PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV).

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