Como memorizar qualquer coisa, segundo a neurociência

Nunca tivemos tanto acesso a tanta informação e de forma tão variada quanto hoje em dia. A internet e os dispositivos que nos dão acesso a ela são os grandes responsáveis por essa facilitação de conteúdos, mas também são os culpados por nossa dificuldade cada vez maior de memorizar datas, informações, nomes, prazos e assim por diante.

Ou você ainda não percebeu que seu celular e as próprias redes sociais é que lembram você do aniversário daquele parente ou amigo próximo, de uma data comemorativa importante e até mesmo dos seus compromissos diários?

De acordo com especialistas em neurociência, essa facilidade toda nos atrapalha e muito na hora de memorizar novos conteúdos. É por isso que exercitar o cérebro e utilizar técnicas específicas de memorização são tão importantes, mesmo com a ajuda que os eletrônicos podem nos oferecer.

A boa notícia é que a própria neurociência oferece alguns truques simples e eficientes na hora de reavivar a memória. Abaixo, por exemplo, listamos as 5 técnicas que funcionam mais rapidamente quando o assunto é se lembrar das coisas.

Descubra como memorizar qualquer coisa:

1. Banque o professor com um amigo

Você só vai memorizar alguma coisa nova e complexa se fizer algo de prático com ela. Explicar o assunto a um amigo, por exemplo, é uma das melhores maneiras de dar um sentido para o novo conteúdo.

Quando você faz isso, você acaba precisando se organizar, encontrar técnicas para filtrar as informações e procurar uma maneira de reproduzi-la. Tudo isso facilita o aprendizado e, claro, a memorização.

Um estudo de 2007, por exemplo, aponta que os filhos mais velhos costumam ter o QI pelo menos três vezes mais altos que os irmãos caçulas exatamente por passarem boa parte da infância ensinando coisas aos irmãos mais novos.

2. Banque o professor consigo mesmo

Se seus amigos já se cansaram dessa história de ouvir “aulas” suas, não tem problema. Dar aulas para si mesmo também surte ótimos efeitos na hora de memorizar algum conteúdo novo.

Para tornar essa atividade ainda mais estimulante para seu cérebro, faça perguntas para si mesmo sobre o material, sempre falando em voz alta. Isso ajuda a despertar a atenção e força você a se explicar, em suas próprias palavras, o que você mesmo acabou de se perguntar.

E não tenha medo de bancar o louco. Uma pesquisa de 2010, publicada no Journal of Experimental Psychology, por exemplo, mostrou que conteúdos ditos em voz alta são memorizados com muito mais eficiência que aqueles lidos em silêncio.

3. A magia do lápis e papel

Hoje em dia, a gente quase não escreve mais à mão, mas se o assunto é memorizar um novo conteúdo, aposte nesse recurso rudimentar (digamos assim). Estudos das Universidades de Princeton e da Califórnia, por exemplo, apontaram que quando desenhamos as palavras usando lápis e papel, elas ficam gravadas de uma maneira muito mais profunda em nossa mente.

Então, quando você for estudar, ressuscite o caderninho ou bloco de anotações e escreva textos corridos ou desenhe esquema de flechas. O importante é registrar de forma manuscrita o que você está estudando.

4. Faça associações criativas

Uma outra maneira de se forçar a memorizar alguma nova informação é usando a imaginação. Tudo que você precisa fazer é colocar esse conteúdo que precisa ser gravado em um contexto inusitado, engraçado e até mesmo surreal.

Por exemplo, você pode associar o nome de uma pessoa que você acabou de conhecer com alguma característica física dela, ou, de repente, aproveitar o sobrenome dela como um “ponto forte”: uma Joana Ponte, por exemplo, pode ser imaginada com uma ponte no meio do rosto, de orelha a orelha. Não é impressionante pensar nisso?

Conforme especialistas em neurociência, quanto mais espantarmos nossa cabeça com a imagem criada, mais fácil será memorizar (e de maneira duradoura) aquela nova informação.

5. Tudo pode virar música

Já viu a facilidade que costumamos ter na hora de memorizar músicas? Você, provavelmente, tem um arquivo enorme de letras que você sabe de cor.

Isso acontece porque por a melodia por trás das letras nos ajudam a gravar informações muito mais rápido. E é por isso também que os professores de cursinhos adoram criar uma musiquinha (fim do mistério para quem nunca entendeu essa mania!).

Isso foi comprovado, aliás, por pesquisadores norte-americanos e alemães. Eles mostraram que quando se cria um padrão rítmico e melódico as funções cognitivas ficam mais “assanhadas”.

Os resultados são excelentes, inclusive, com portadores de esclerose múltipla. Um experimento mostrou que o estímulo musical incrementa o que os cientistas chamam de codificação profunda durante o aprendizado verbal.

Aliás, se você quer também ser mais produtivo no trabalho, a música pode ajudar bastante, já que ela estimula o cérebro de uma forma poderosa, a partir de nossa conexão emocional. Steve Jobs, inclusive, já sabia ou imaginava isso, porque sua seleção de músicas para trabalhar é famosa, como você já conferiu por aqui.

E então, que tal testar essas técnicas? Elas são bem simples e não custa nada pagar pra ver, não acha? Não deixe de nos contar no que deu depois!

E, falando nas capacidades e limitações do cérebro humano, você precisa conferir ainda: 6 coisas que estão matando seu cérebro lentamente.

Fonte: Exame