História

Armas químicas, o que são? Perigos e ocorrências na história

As armas químicas são compostas por substâncias tóxicas que podem ser letais ou causar danos irreversíveis aos seres vivos.

Atualizado em 29/07/2020
Por Amanda Sales

Provavelmente você já ouviu falar sobre armas químicas, mas sabe o que são? Inicialmente, elas podem ser definidas como objetos nocivos (ou até mesmo letais) aos seres humanos e animais, por conterem algum tipo de substância tóxica.

Existem vários tipos de armas químicas que já foram utilizadas em períodos históricos diferentes, em várias partes do mundo. Apesar dos diferentes tipos, o que unifica esse tipo de arma é o alto poder destrutivo.

Para compreender o perigo desse tipo de armamento, primeiramente, é importante compreender como funcionam e como podem gerar reações irreversíveis no organismo humano.

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Soldados usando protenção contra armas químicas. Fonte: Autoridade Nacional para a Proibição das Armas Químicas (ANPAQ)

Pode se enquadrar como arma química, gases, líquidos, pós, entre outros. Para atingirem seu objetivo final, essas substâncias são inseridas em armas, alimentos ou na água. Por vezes, são vaporizados ou lançados sobre uma região. Todos os seres vivos atingidos apresentam reações físicas e psicológicas e podem morrer.

Apesar disso, nem toda ferramenta com alto poder de destruição pode se enquadrar como arma química. Bombas atômicas, por exemplo, não são consideradas armas químicas.

Esse tipo de arma é usada, principalmente, em guerras. Além disso, cada uma tem um funcionamento específico e um efeito no corpo humano. Tais variações estão relacionadas ao tipo de substância utilizada.

Diferença entre armas químicas e armas biológicas

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Soldados japoneses durante ataque com gás tóxico. Fonte: Aventuras na História

Certamente, uma dúvida bastante comum em relação às armas químicas é sua diferença frente as armas biológicas. Antes de diferenciar, vale lembrar que ambas são extremamente nocivas, Sobretudo, o uso dessas armas é proibido.

Arma química consiste em uma substância (sólida, líquida ou gasosa) que ao entrar em contato com o organismo de um ser vivo, causa danos permanentes.

Em contraste, armas biológicas são os próprios organismos vivos (como vírus ou bactérias, por exemplo) que são lançados em uma determinada região.

Se comparadas, ambas são extremamente nocivas. No entanto, as armas biológicas são mais perigosas, já que os organismos vivos lançados se hospedam no corpo de animais e seres humanos por tempo indeterminado.

Afinal, por que as armas químicas são utilizadas?

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Fonte: LPM

Certamente, em sua maioria, o uso das armas químicas se deu por razões de guerra. Ou seja, existem motivos técnicos para que essas armas sejam utilizadas:

Inutilização de terreno: além do efeito sobre pessoas e animais, a maioria das armas químicas também destroem terrenos e construções.

Ação rápida: o efeito das armas químicas costuma ser bastante rápido, o que representa uma vantagem para quem faz o uso dessas substâncias. Em resumo, com os soldados inimigos rapidamente afetados, é mais difícil que eles se reorganizem e façam um contra-ataque.

Atingir grandes áreas de uma só vez: como normalmente são gases, as armas químicas são dissipadas pelo vento e, sobretudo, rapidamente atingem várias regiões.

Realizar o ataque em uma posição fechada: por fim, já que as armas químicas se espalham rapidamente, não é preciso de grandes deslocamentos para que o inimigo seja atingido.

Proibição

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Congresso da OPAQ. Fonte: Politize

A primeira tentativa de regulamentar o uso de armas químicas aconteceu em 1675, em um acordo realizado entre França e Inglaterra. Basicamente, o acordo impedia o uso de balas envenenadas. Contudo, este não foi o único acordo. Ao longo da história, várias organizações tentaram impedir o uso dessas armas, uma vez que é considerada hedionda, por seu efeito. Além disso, essas armas podem atingir civis inocentes, que não estão diretamente envolvidos nos conflitos.

Apesar da primeira tentativa de regulamentação ter acontecido no século XVII, foi em 1997 que ocorreu a primeira grande convenção com o objetivo de tentar impedir o uso dessas armas. A Convenção de Armas Químicas (CAQ) aconteceu em Paris e reuniu diversos países. As nações participantes aceitaram por fim à produção, comércio e venda de armas químicas.

Apesar disso, mesmo com a CAQ, outros países continuaram a utilizar armas químicas com finalidade de guerra. Em 2013, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, foi acusado de ter usado sarin (vamos explicar seu funcionamento mais abaixo) em regiões ocupadas por rebeldes contrários ao governo. Um ano depois, o país pediu para integrar a convenção e, além disso, se comprometeu a parar de usar as armas químicas.

Também em 1997, foi criada a Organização para Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que atua em conjunto com a Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de combater o uso das armas químicas. Sobretudo, a organização existe até hoje e promove debates e pesquisas sobre usos e impactos das armas químicas.

Efeitos das armas químicas no corpo humano

As armas químicas produzem reações no organismo de seres vivos que podem causar danos irreversíveis ou, até mesmo, matá-los. Para que as substâncias presentes nas armas cause tantos estragos, elas precisam ser absorvidas pelo organismo. A absorção pode acontecer pela pele ou pela boca.

Certamente, a principal forma de absorção dessas substâncias é pela respiração. Isso se deve ao fato de que grande parte dessas substâncias são líquidas e acabam sendo pulverizadas, método que permite que sejam respiradas pelos seres vivos.

As reações físicas do organismo atingido podem variar de acordo com a arma química. No entanto, há algumas manifestações comuns em pessoas atingidas por armas químicas:

  • Asfixia
  • Ardor nos olhos e mucosas
  • Olhos lacrimejando
  • Queimaduras
  • Sangramentos
  • Bolhas e alergias
  • Convulsões
  • Dormência
  • Náusea e vômitos

Além dos danos físicos, há um aspecto psicológico envolvido. Quando a substância das armas químicas atinge as vítimas, elas não morrem instantaneamente. Ou seja, isso significa que pessoas e animais podem agonizar, sofrer e sentir dor quando são atingidos. Este aspecto torna o uso das armas químicas muito perverso.

Por fim, depois que as substâncias das armas químicas entram em contato com o organismo, é difícil reverter os efeitos. Em alguns casos é possível aplicar antibióticos nas vítimas para evitar que eles venham a óbito. No entanto, o índice de mortalidade chega a ser de até 90% após a primeira manifestação dos sintomas.

Principais ocorrências das armas químicas na história

Como já foi dito anteriormente, as armas químicas já foram utilizadas diversas vezes ao longo da história da humanidade. Na maioria das vezes, essas armas são utilizadas com o objetivo de combater oponentes em guerras e conflitos.

Em síntese, já na antiguidade os homens conheciam algumas substâncias que podiam ser utilizadas como armas químicas. Essas substâncias podem ser naturais ou criadas em laboratórios.

A seguir, apresentamos quatro armas químicas que já foram utilizadas na história da humanidade, bem como seu contexto histórico.

1- Flechas e espadas envenenadas

O conhecimento do ser humano acerca da botânica permitiu que muitas plantas venenosas fossem utilizadas para o mal. Em resumo, venenos eram extraídos de plantas e frutos e então eram usados para envolver flechas e espadas.

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Tipo de flecha envenenada. Fonte: Fatos desconhecidos

Povos antigos, como gregos e romanos, já conheciam essa técnica. Além das flechas e espadas, que já são perigosas, o veneno deixava os apetrechos ainda mais letais. A planta conhecida como hellerbore foi uma das mais utilizadas. Até mesmo quem a coletava, acabava se intoxicando e morrendo.

No entanto, nem só plantas eram utilizadas para envenenar armas. Alguns relatos históricos mostram que em 326 a.C., o exército do conquistador Alexandre, o Grande foi surpreendido com um ataque da população de Harmatelia. Os cidadãos revestiam suas espadas com veneno mortal.

Acredita-se que esse veneno era retirado de cobras e usado para revestir as espadas. Bastava um arranhão para que as vítimas começassem a sentir os efeitos. Além disso, no organismo, a toxina podia causar alucinações, vômito e convulsões, podendo levar à morte.

2- Gás mostarda

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Fonte: Universidade da Química

O gás mostarda é um composto químico que, em contato com a mucosa,  pode causar irritação e ardência. Ele recebeu esse nome porque seu cheiro se assemelha à mostarda, além da cor ser amarela. Essa substância não existe na natureza. Ela foi criada na Inglaterra, mas passou a ser fabricado em larga escala na Alemanha.

Além disso, os efeitos desse gás no corpo são quase imediatos. Ao entrar em contato com o gás mostarda, as pessoas sentem ardência nos olhos e no nariz e surgem bolhas na pele. Essa arma química pode causar também cegueira temporária. Se inalado em grandes quantidades, pode matar.

Enfim, esse gás foi utilizado na Primeira Guerra Mundial. Outro conflito que utilizou essa arma química foi a guerra civil na Etiópia, em 1936.

3- Sarin

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Fonte: Terra

O sarin é uma substância extremamente tóxica que pode ser utilizada na forma líquida ou gasosa. Tanto uma como outra atacam o sistema nervoso central da vítima e pode levar à morte em pouco tempo. Os sintomas da substância no corpo são: salivação, suor em excesso, ardência.

O sarin é ainda mais perigoso, pois pode ser utilizado em mísseis, misturado à outras substâncias tóxicas. Essa substância é sintética e foi criada em 1944, por Gerhard Schrader, um químico que, inicialmente, fazia experimentos para criar um inseticida.

Desde a Segunda Guerra Mundial, o sarin foi utilizado em muitos conflitos, inclusive na contemporaneidade. Em 2013, a Síria foi acusada de usar a substância em pessoas consideradas opositoras do governo.

Esse gás ataca uma enzima presente no corpo chamada acetilcolinesterasa e, consequentemente, limita os movimentos musculares. Isso é extremamente perigoso, pois pode paralisar o pulmão e o coração, levando a vítima ao óbito.

4- Pó de calcário

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Fonte: Fatos desconhecidos

Uma prática comum entre os povos antigos era utilizar gases e fumaças tóxicas em conflitos. Esses gases deixavam os oponentes desnorteados, além de causar irritação e ardência nos olhos.

O pó de calcário era uma das substâncias utilizadas, como uma espécie de gá lacrimogêneo. No passado, os chineses colocavam esse pó em carros puxados por cavalos e pulverizavam a substância nos inimigos de guerra.

5- Cloreto de Cianogênio

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Fonte: História de Tudo

Essa substância é considerada um agente sanguíneo. Isso significa que ao inalar esse gás ou similares, as hemoglobinas da vítima não conseguem mais transportar oxigênio. O resultado é a morte quase imediata.

Essa foi mais uma arma química utilizada durante a Primeira Guerra Mundial. Os franceses utilizaram essa substância para revidar um ataque da Alemanha, também feito com armas químicas. Estima-se que durante o conflito, 100 mil pessoas, de várias nacionalidades, morreram somente por causa dos gases tóxicos como o cloreto de cianogênio.

6- Agente laranja

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Ação do agente laranja em floreta do Vietnã. Fonte: El País

O agente laranja é um tipo de arma química conhecida como desfolhante. Esse nome se deve ao fato de que a substância derrete as folhas das árvores. A tática de desfolhar a vegetação ajudava com que soldados enxergassem inimigos que pudessem estar escondidos em meio à vegetação.

No entanto, o agente laranja não provoca reações apenas nas folhas das árvores. A substância é um herbicida, ou seja, utilizado para matar ervas daninhas em plantações, mas que acabou destruindo florestas inteiras durante a Guerra do Vietnã.

O agente laranja foi inventado nos Estados Unidos, no final da Segunda Guerra Mundial, como herbicida. No entanto, durante a Guerra do Vietnã, a substância foi usada como desfolhante de modo desenfreado. Além de destruir plantações, essa arma química causa queimaduras na pele, intoxicações e a longo prazo é responsável por vários tipos de câncer e deformações corporais.

7- Fosgênio

Ao contrário da maioria das outras armas químicas, o fosgênio demora a mostrar seus efeitos no organismo humano. Apenas 24 horas depois de ser inalado é que ele começa à agir no organismo.

O gás se mistura à água presente nos tecidos do organismo humano, e essa junção gera o ácido clorídrico. Altamente corrosivo, esse ácido dissolve a membrana do pulmão e compromete a capacidade respiratória da vítima.

Esse gás também foi utilizado na Primeira Guerra Mundial. No entanto, estima-se que atualmente, países como Coréia do Norte, Egito e Irã produzem secretamente esse gás.

Enfim, você chegou ao final dessa matéria e ficou com gostinho de quero mais? Talvez você também se interesse por esse artigo: Pandemias – 8 maiores doenças que se espalharam pelo mundo

Fontes: Portal São Francisco, Fatos Desconhecidos, Cola da Web, Aventuras na História, Politize, Mix Misturado, Politize, Superinteressante

Fontes das imagensAutoridade Nacional para a Proibição das Armas Químicas (ANPAQ), Share América, Aventuras na História, Fatos Desconhecidos, Cola da Web, Universidade da Química, Terra, Politize, História de Tudo, El País, LPM

Próxima página »

Escolhidas para você