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Deja vu – o que é e qual a causa do fenômeno, segundo a Ciência?

Você já teve a sensação de estar presenciando uma situação pela segunda vez? Será que tem relação com vidas passadas? Saiba o que é o deja vu.

Atualizado em 03/01/2020

Já ouviu falar em deja vu? Aliás, só a termo de conhecimento, a expressão correta vem do francês e se escreve “déjà-vu”. Sua tradução para português, inclusive, quer dizer “já visto”.

Se você não sabe o que é ou nunca ouviu falar, nós explicamos de uma maneira bem simples. Basicamente, deja vu é o é nome correto daquela sensação de já ter vivido alguma situação que você ainda está vivendo. Entende?

Você, por acaso, já chegou em algum lugar e teve aquela sensação repentina de que já esteve naquele mesmo lugar, olhando aquela mesma cena acontecer? Ou então, você já começou a conversar com um amigo, e já sentiu que aquele momento já tinha ocorrido antes?

Se um desses casos já aconteceu com você, ou se outros casos semelhante ocorreram, então você já teve um deja vu. Ficou curioso sobre o assunto? Então vem descobrir mais sobre o assunto e saber o que a Ciência diz sobre isso.

O que é o deja vu?

Primeiramente, o deja vu é o termo utilizado para indicar quando você ou outra pessoa têm a impressão de já ter vivido ou visto aquilo. Vale ressaltar que é um fenômeno que ocorre no cérebro e não é uma particularidade sua. Ou seja, a maioria da humanidade já teve essa sensação ou terá algum dia.

Sobretudo, ele não é uma visão do futuro. Até porque o fenômeno ocorre somente no momento exato em que as coisas estão acontecendo, e jamais em situações anteriores.

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E, apesar de ser tão comum, esse termo foi aplicado pela primeira vez por Emile Boirac (1851-1917). Emile, aliás, era um estudioso interessado em fenômenos psicológicos.

Segundo ele, e outros especialistas em assuntos do cérebro, o deja vu é uma experiência baseada na memória. Por isso, os centros de memória do cérebro são os responsáveis pelo fenômeno.

Deja vu x experiências anteriores

Apesar de muita crendice ao redor do assunto, a ciência já confirmou ser a falsa a hipótese de que o deja vu se trata de uma situação que já foi vivida antes. Até porque essas situações nunca poderiam ser recriadas com exatidão, especialmente com relação aos sentimento associados a cada acontecimento na vida..

Como já mencionamos, a maioria de nós já viveu isso. Mais exatamente, 66% da população mundial, segundo dados associados aos estudos do deja vu.

E, engana-se que o fenômeno é uma exclusividade da vida adulta. Estudos mostram que o deja vu começa a ocorrer a partir de 6 ou 7 anos de idade. Porém, ele se torna mais frequente entre os 15 aos 25 anos.

De acordo com alguns cientistas, o motivo seria o fato de os cérebros humanos ainda não estarem totalmente desenvolvidos.

Tentativas da ciência para explicar a sensação

Basicamente, antes de se chegar a uma conclusão satisfatório, muitos cientistas estudaram e tentaram justificar esse fenômeno. Até porque, o fato dele ser uma experiência imprevisível o tornou ainda mais instigante para a ciência.

Por isso, ao longo de tantos anos de pesquisas, detalhes importantes a respeito do fenômeno puderam ser observados. Por exemplo, o fato da ocorrência de deja vus ser mais comum em pessoas com níveis de educação e socioeconômicos mais altos.

Ou de acontecer mais frequentemente com pessoas que costumam viajar e assistir a muitos filmes. Além de ser ainda mais comum com quem geralmente recorda o que sonhou à noite.

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Assim sendo, alguns cientistas acreditavam que o fenômeno poderia estar associado com lembranças de experiências anteriores e que poderiam estar “enterradas” na memória. Até porque, mesmo o nosso cérebro sendo magnífico e muito poderoso, ele não consegue guardar exatamente tudo que vemos ou vivenciamos no dia a dia.

No entanto, vale destacar que não é por conta de não conseguirmos nos lembrar de tudo com facilidade que nossas memórias não tenham sido armazenadas. Na verdade, elas só não foram acessadas corretamente.

E, por conta dessa desordem, alguns cientistas acreditam que elas poderiam ser as responsáveis pelo senso de familiaridade que sentimos quando temos um deja vu.

Mas, isso, como já mencionamos, já foi desmistificado.

Outras possibilidades refutadas

Ainda na tentativa de explicar a situação, alguns cientistas e especuladores levantavam as hipóteses mais malucas possível. Havia os que acreditavam que o fenômeno não passasse de uma confusão de ideias. Por outro lado, outros diziam se tratar de inatenção, vidas passadas e ainda de visões sobrenaturais.

No entanto, alguns cientistas começaram a associar a ocorrência de deja vu com pacientes diagnosticados com epilepsia do lobo temporal. Nessas pessoas, as experiências costumam ser registradas imediatamente antes de um ataque.

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Muitos chegaram a acreditar na correlação desses dois fatores, porque a região do cérebro afetada durante os episódios seria a mesma envolvida na retenção de memórias.

Além do mais, os especialistas chegaram a afirmar que nas pessoas que não sofrem de epilepsia o fenômeno talvez seja provocado por um excesso de descargas elétricas no cérebro. Porém, em uma escala menor do que nos epiléticos.

Inclusive, havia ainda uma corrente que apostava que o deja vu poderia ser resultado de alguma complicação crônica. Ou, então, que era desencadeado por crises de ansiedade, estresse e, principalmente,  por quadros de depressão. A explicação, segundo eles, era que esses distúrbios tendem a intensificar as emoções.

A verdade sobre o deja vu

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Apesar de todas as tentativas de explicar o fenômeno, os cientistas chegaram a uma conclusão. Basicamente, eles afirmam que o fenômeno é simplesmente o nosso cérebro checando uma memória que ele acabou de criar. Portanto, o fenômeno realmente existe.

Sobretudo, essa seria uma consequência do nosso cérebro mandando sinais para identificar algum tipo de “erro de memória”. Assim sendo, para concluírem os estudos, os pesquisadores recrutaram 221 voluntários para participarem de um jogo de palavras.

Durante a experiência, o mapeamento cerebral dos participantes mostrava que a sensação de deja vu ativava as áreas frontais do cérebro. Essas áreas, aliás, são as principais envolvidas nas tomadas de decisões.

Porém, eles esperavam que as regiões associadas à memória, como o hipocampo, fossem ativadas com a sensação. Mas isso não aconteceu.

Trocando por miúdos…

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Portanto, a conclusão é simples: o fenômeno não é um replay. Na verdade, o deja vu nada mais é que o cérebro testando se a memória está funcionando bem. Isso acontece, segundo o estudo, para impedir que você esqueça algo ou confunda eventos passados.

Agora, se você que nunca teve um deja vu, não se assunte. De forma geral, ter um desses fenômenos não significa que seu cérebro está funcionando melhor que os demais.

Na verdade, é o contrário. O fato de você não sentir o fenômeno quer dizer que seu cérebro não está cometendo erros e que sua memória anda bem.

O nosso corpo humano é realmente uma loucura, não é mesmo?

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Fontes: Brasil escola, Veja.abril, Mega curioso

Imagens: Brasil escola, Veja.abril, Mega curioso, Kids frontier, Medical news today, Leitura corporal