Curiosidades

Por que há tanto interesse por obras de true crime?

Entenda porque as obras true crime geram fascínio no público e logo lideram o ranking dos conteúdos mais vistos nas plataformas de streaming.

A série “Dahmer: Um Canibal Americano” e o documentário “Pacto Brutal – O Assassinato de Daniella Perez” estrearam recentemente para corroborar uma tendência que se repete recorrentemente com as ficções do gênero true crime: elas geram fascínio entre o público e logo lideram os rankings de conteúdos mais vistos. Veja a seguir por que isso acontece.

O que são obras do gênero true crime?

Em suma, True crime (ou crime verdadeiro) é um gênero de não ficção que examina um crime real e detalha as ações de pessoas reais. Em outras palavtas, trata-se de um subgênero narrativo que se caracteriza pela investigação e reconstrução de crimes reais, sejam eles documentais ou ficcionais.

Podemos encontrar exemplos de crimes verdadeiros na literatura, no jornalismo, no cinema, nas séries ou nos quadrinhos, que atendem às duas normas do gênero: reconstroem um crime e se baseiam em fatos reais.

Por que há tanto interesse em true crime?

Uma questão muito comum sobre esse gênero é: por que produtos culturais baseados ou inspirados em fatos criminosos reais sempre ocupam o topo das paradas de audiência e vendas, principalmente se tratam de assassinatos violentos? Ou seja, por que há tanto interesse por true crime?

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De acordo com Vicente Garrido, PhD em Criminologia e Pscologia pela Universidade de Valência, em entrevista ao El País, existem pelo menos quatro razões pelas quais essas séries, filmes e livros não são apenas úteis ou necessários em nossas vidas.

Esses motivos são: questões de sobrevivência, compreensão da sociedade, correção de erros e preconceitos do poder e, naturalmente, experimentação de emoções.

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Para o especialista, as histórias de crimes reais nos ajudam a entender as pessoas e a sociedade considerando situações extremas ou transcendentes.

Além disso, o true crime “serve para apontar graves disfunções no sistema”, como casos de tratamento injusto na Justiça, situações indignas nas prisões ou discriminação contra vítimas consideradas de segunda classe, como foi o caso da vizinha de Jeffrey Dahmer (retratada na série “Dahmer: Um Canibal Americano”), que o denunciou diversas vezes as autoridades policiais, mas terminava sendo ignorada pelo sistema.

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Obras de true crime são prejudiciais?

Garrido não concorda que as pessoas que gostam desses temas sejam acusadas de mórbidas. “Chamar milhões de pessoas de mórbidas porque estão interessadas em violência me parece absurdo”, afirma o especialista.

As obras true crime assim projetadas têm o poder e a vantagem de captar tanto o espectador horrorizado ou fascinado pela deturpação de uma pessoa, quanto o telespectador interessado em acessar uma discussão social de enorme complexidade deste personagem.

E com isso já garantiram um fluxo significativo de telespectadores. Nesse sentido, oferecer uma ficção inspirada em fatos reais, que também desencadeie discussões e análises da realidade, não garante o caminho para o sucesso, mas traz uma vantagem.

Como alimentar o interesse por esse gênero de forma consciente?

Por fim, o gênero true crime se conecta com as cinco categorias de curiosidade, que vão desde a exploração alegre até a necessidade de estar no controle para não se tornar uma vítima, tolerância ao estresse para resolver o mistério, curiosidade social para saber até onde vai a mente humana e, finalmente, a busca por emoções não experimentadas até agora.

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Desse modo, permite que o espectador se conecte com o aprendizado e a sensação de proteção. Isso faz jus ao ditado “Conhecimento é poder”; assim como medo é ausência de informação, portanto, quanto mais aprendemos sobre algo, mais seguros nos sentimos e nossos mecanismos de defesa ficam mais acionados diante de uma possível ameaça.

Em última análise, o interesse por true crime ocorre porque ele nos ensina estratégias de sobrevivência, ensinando-nos como um assassino pensa e como evitar situações que podem custar nossas vidas.

Fontes: El País, Hypeness, Tracklist, Portal Amazônia, Revista Trip, Isto é, Darkside

Bibliografia

Bruzzi, S. (2022). A criação de um gênero, laFuga, 26. Disponível em: http://2016.lafuga.cl/la-creacion-de-un-genero/1113
Moreira, Carol. Modus operandi: guia de true crime / Carol Moreira, Mabê Bonafé. – 1. ed. – Rio de Janeiro : Intrínseca, 2022.

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