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Inferno – O que diz a religião e a filosofia sobre o local de dor e pecado

O inferno é definido pelo cristianismo como lugar de punição eterna para pecadores e aqueles que não aceitam Jesus como salvador.

Atualizado em 18/08/2020

De acordo com a Bíblia, o inferno é um lugar criado para punir Satanás, seus seguidores e todos os pecadores. Por causa disso, o local é repleto de dor, tormento e sofrimento para todos os que vivem ali.

Ainda que todos os pecadores sejam enviados para o inferno, isso não significa que Deus tenha criado o ambiente com desejo de mandar as pessoas para lá. Isso porque, segundo a crença, Jesus morreu para salvar as pessoas de seus pecados e basta aceitá-lo como salvador para não ser condenado.

Sendo assim, é possível dizer que o inferno é um local para quem está completamente separado de Deus. É por isso, então, que o local é tomado pela dor e pela falta de esperança.

Inferno cristão

Inferno - o que diz a religião e a filosofia sobre o ambiente de dor e pecado
Evil Fandom

O cristianismo acredita que só é condenado quem precisa passar por uma punição por seus pecados. Por outro lado, a condenação também é encarada como uma opção. Uma vez que basta aceitar a salvação de Jesus para não precisar pagar pelos pecados, é só sua rejeição que provoca a condenação eterna.

Em diferentes trechos, a Bíblia descreve o local como lugar de castigo e completa escuridão repleto de choro, destruição da alma e sofrimento. Além disso, é descrito como preparado para receber o Diabo e seus anjos, com um lago de fogo e enxofre que nunca se apaga.

Entretanto, ainda que ele seja mencionado, nenhuma parábola ou texto se refere ao ambiente como um local físico real. Isso faz com que teóricos defendam que, mesmo para os textos cristãos, o inferno seja apenas um local fictício com intenção de educação moral.

As referências o local no Novo Testamento são poucas, mas ainda mais escassas no Antigo Testamento. Nesse trecho, inclusive, não nenhuma menção a um ambiente de punição eterna. Quando Adão e Eva são condenados, por exemplo, não são enviados ao inferno, mas recebem a morte como punição.

Referências

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The Tablet

De acordo com o autor Justin Westbow, do portal ListVerse, a Bíblia não faz muitas referências diretas a um inferno real. Além disso, menções ao ambiente fazem paralelos com outras crenças anteriores ao cristianismo.

Os mesopotâmicos acreditavam na existência de um lugar no submundo repleto de tristeza e escuridão. Apesar de não ser um lugar para onde as pessoas eram enviadas para punição, ninguém queria ir para esse submundo.

Já os egípcios, falavam sobre uma caverna com um lago de fogo para punir e condenar transgressores. Da mesma forma, o zoroastrismo pregava um poço malcheiroso habitado por demônios torturados em meio a fumaça e fogo. Este local também ficava no submundo e era comandado por uma figura análoga ao Diabo.

Outros nomes para Inferno

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As menções a inferno na Bíblia são resultado da junção de traduções de diferentes palavras gregas e hebraicas sob o mesmo nome. Essas palavras, entretanto, não carregam sentidos que realmente se comparam.

Hades e Sheol, por exemplo, são palavras próximas que indicam algo próximo de sepultura ou vida após a morte. Sendo assim, os termos não necessariamente fazem juízo de valor para indicar um local de tormenta e punição.

Já o termo Geena é uma tradução grega para “vale dos filhos de Hinom”, do hebraico ge-hinnom e ge-ben-hinnom. O nome era utilizado para se referir a um vale real próximo a Jerusalém, mas acabou ganhando o sentido metafórico de um lugar de destruição. Supostamente, Jesus teria importado a tradução história ao invés de trazer o novo termo.

Existe ainda o nome Tártaro, mas ele só aparece na Bíblia uma vez e não é aplicado para punição de humanos.

Filosofia

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Bethesda

A definição de um local infernal não era um consenso nem mesmo para os primeiros padres cristãos. Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Tertuliano e Cipriano, por exemplo, faziam parte do grupo que acreditam que havia um local literal de tormento. Por outro lado, Orígenes e Gregório de Níssa defendiam que o inferno era apenas o distanciamento de Deus.

Segundo o filósofo existencialista Jean Paul Satre, não há necessidade de um lugar real ou simbólico para tortura, pois “o inferno é a outra pessoa”. Ou seja, ele defende que a tormenta humana é provocada pela crueldade dos próprios seres humanos e o sofrimento que ela gera.

Há ainda quem questione que a existência desse local não faria sentido nem mesmo diante de um olhar cristão. Isso porque, uma vez que Deus é amor e justiça, como defenderia a punição eterna? Os cristãos respondem isso dizendo que o inferno é apenas uma opção, já que Deus oferece a possibilidade de evitá-lo por meio da fé.

Fontes: Mega Curioso, Diógenes Júnior, Ministério Fiel, Respostas

Imagens: Bethesda, How Stuff Works, Evil Fandom, RNS, The Tablet