Curiosidades

Ragnarök: o fim do mundo na Mitologia Nórdica

O Ragnarok consiste numa série de eventos que conduziriam ao fim do mundo na mitologia nórdica, envolvendo a morte dos deuses e dos homens.

Os vikings acreditavam que um dia o mundo como o conhecemos chegaria ao fim, eles chamavam este dia de Ragnarok ou Ragnarök.

Em suma, Ragnarok não é apenas a condenação do homem, mas também o fim dos deuses e deusas. Será a batalha final entre os Aesir e os gigantes. A batalha acontecerá nas planícies chamadas Vigrid.

É aqui que a poderosa serpente de Midgard emergirá do mar, enquanto pulveriza veneno em todas as direções, causando enormes ondas quebrando em direção à terra.

Enquanto isso, o gigante do fogo Surtr incendiará Asgard (a casa dos Deuses e Deusas ) e a ponte do arco-íris Bifröst.

O lobo Fenrir se libertará de suas correntes e espalhará morte e destruição. Além disso, o sol e a lua serão engolidos pelos lobos Sköll e Hati, e até a árvore do mundo Yggdrasil sucumbirá durante o Ragnarök.

Fontes nórdicas que registram o Ragnarök

A história de Ragnarök é sugerida através de pedras rúnicas datadas entre os séculos X e XI; e só é atestada por escrito do século XIII na Edda Poética e Edda em Prosa.

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A Edda Poética é uma coleção de poemas nórdicos anteriores, enquanto a Edda em Prosa foi composta pelo mitógrafo islandês Snorri Sturluson (1179-1241) a partir de fontes mais antigas e tradição oral.

Desse modo, os poemas dos registros Codex Regius (“Livro do Rei”), alguns datados do século X e incluídos na Edda Poética, foram, portanto, escritos por cristãos ou escribas influenciados pela visão cristã.

Entre estes está o Völuspá (“A Profecia da Vidente”, do século X) em que Odin convoca uma völva (vidente) que fala da criação do mundo, prevê Ragnarök e descreve suas consequências, incluindo o renascimento da criação após o final do ciclo atual.

“Irmãos lutarão
E matarão uns aos outros;
Filhos das próprias irmãs
Pecarão juntos
Dias doentes entre os homens,
Em que pecados do sexo aumentarão.
Uma era do machado, uma era da espada,
Escudos serão partidos.
Uma era do vento, uma era do lobo,
Antes de o mundo cair morto.”

Sinais do Ragnarök

Como o apocalipse cristão, Ragnarok estabelece uma série de sinais que definirão o fim dos tempos. O primeiro sinal é o assassinato do Deus Baldur, filho de Odin e Frigga. O segundo sinal serão três longos invernos frios ininterruptos que durarão três anos sem verão no meio.

Aliás, o nome desses invernos ininterruptos é chamado de “Fimbulwinter”. Assim, durante esses três longos anos, o mundo será atormentado por guerras e irmãos matarão irmãos.

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Por fim, o terceiro sinal serão os dois lobos no céu engolindo o sol e a lua, e até as estrelas desaparecerão e enviarão o mundo para uma grande escuridão.

Como começa o Ragnarok?

Primeiramente, o lindo galo vermelho “Fjalar”, cujo nome significa “Todo conhecedor”, avisará a todos os gigantes que o início do Ragnarok começou.

Ao mesmo tempo em Hel, um galo vermelho avisará todos os mortos desonrosos, que a guerra começou. E também em Asgard, um galo vermelho “Gullinkambi” avisará todos os Deuses.

Heimdall tocará sua trombeta o mais alto que puder e esse será o aviso para todos os Einherjar em Valhalla de que a guerra começou.

Portanto, esta será a batalha das batalhas, e este será o dia em que todos os vikings “Einherjar” de Valhalla e Folkvangr que morreram honrosamente em guerras, pegarão suas espadas e armaduras para lutar lado a lado com os Aesir contra os gigantes.

A batalha dos deuses

Os Deuses, Baldr e Hod serão devolvidos dos mortos, para lutar uma última vez com seus irmãos e irmãs.

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Odin estará montado em seu cavalo Sleipnir com seu capacete de águia equipado e sua lança Gungnir em sua mão, e liderará o enorme exército de Asgard; com todos os deuses e bravos Einherjar para o campo de batalha nos campos de Vigrid.

Os gigantes, juntamente com Hel e todos os seus mortos, navegarão no navio Naglfar, que é feito das unhas de todos os mortos para planícies de Vigrid. Por fim, o dragão Nidhug virá voando sobre o campo de batalha e reunirá tantos cadáveres para sua fome sem fim.

Um novo mundo surgirá

Quando a maioria dos deuses perecer na destruição mútua com os gigantes, está predeterminado que um novo mundo surgirá da água, bonito e verde.

Antes da batalha de Ragnarok, duas pessoas, Lif “uma mulher” e Liftraser “um homem”, encontrarão abrigo na árvore sagrada Yggdrasil. E quando a batalha terminar, eles sairão e repovoarão a terra novamente.

Além deles, vários dos deuses sobreviverão, entre eles os filhos de Odin, Vidar e Vali, e seu irmão Honir. Os filhos de Thor, Modi e Magni, herdarão o martelo de seu pai, Mjölnir.

Os poucos deuses que sobreviverem irão para Idavoll, que permaneceu intocada. E aqui eles construirão novas casas, a maior das casas será Gimli, e terá um telhado de ouro. Com efeito, há também um novo lugar chamado Brimir, em um lugar chamado Okolnir que fica nas montanhas de Nidafjoll.

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Contudo há também um lugar terrível, um grande salão em Nastrond, a margem dos cadáveres. Todas as suas portas estão voltadas para o norte para saudar os ventos uivantes.

As paredes serão feitas de serpentes contorcidas que despejam seu veneno em um rio que flui pelo salão. Aliás, este será o novo subterrâneo, cheio de ladrões e assassinos, e quando eles morrerem o grande dragão Nidhug, estará lá para se alimentar de seus cadáveres.

Diferenças entre o Ragnarok e o Apocalipse cristão

A história apocalíptica de Ragnarok mostra a batalha entre deuses, uma batalha com graves consequências para humanos e deuses. Assim, os humanos são o ‘dano colateral’ nesta guerra entre os deuses, bem como na mitologia hindu.

Isso distingue Ragnarok do apocalipse cristão em que os humanos são punidos por não serem leais e fieis a Deus. Todavia, alguns especialistas citam um trecho da Völuspá como exemplo da influência cristã na concepção do Ragnarök:

“Então do alto,
Vem para julgar
O forte e poderoso,
Que tudo governa.”

A humanidade está fascinada com o ‘fim dos tempos’ desde que a história foi registrada. No cristianismo, é o ‘Dia do Julgamento’ descrito no Livro das Revelações; no judaísmo, é o Acharit hayamim; na mitologia asteca, é a Lenda dos Cinco Sóis; e na mitologia hindu, é a história dos avatares e do homem a cavalo.

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A maioria desses mitos sustenta que quando o mundo como o conhecemos acabar, uma nova encarnação do mundo será criada.

Contudo não se sabe se esses mitos e lendas são simplesmente uma metáfora para a natureza cíclica ou se a humanidade realmente um dia encontrará seu fim.

Bibliografia

LANGER, Johnni. Ragnarök. In.: LANGER, Johnni (org.). Dicionário de Mitologia Nórdica: símbolos, mitos e ritos. São Paulo: Hedra, 2015, p. 391.
STURLUSON, Snorri. Edda em Prosa: Gylfaginning e Skáldskaparmál. Belo Horizonte: Barbudânia, 2015, p. 118.
LANGER, Johnni. Edda em Prosa. In.: LANGER, Johnni (org.). Dicionário de Mitologia Nórdica: símbolos, mitos e ritos. São Paulo: Hedra, 2015, p. 143.
ANÔNIMO. Edda Mayor, tradução de Luis Lerate. Madrid: Alianza Editorial, 1986, p.36.

Então, você já conhecia a verdadeira história de Ragnarok? Pois, se você se interessou pelo assunto, leia também: Os 11 maiores deuses da mitologia nórdica e suas origens

Fontes: Significados, Super interessante, Brasil escola

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