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O que acontece se você receber sangue do tipo errado?

Receber sangue do tipo errado pode ocasionar reação hemolítica, que resulta em diversos sintomas. Saiba mais sobre isso aqui!

Receber sangue do tipo errado pode acarretar em diversas condições, por exemplo: insuficiência renal, queda brusca na pressão arterial, dores, em alguns casos, pode levar à morte. Tudo isso como consequência da reação hemolítica transfusional.

Para evitar que esse tipo de situação ocorra, é importante ter em mente que existem algumas características no sangue humano que faz com que ele seja ou não compatível entre as pessoas, que, em suma, é o caso do sistema ABO, além do fator Rh.

Para entender um pouco melhor sobre a tipagem sanguínea e a compatibilidade, continue lendo o nosso texto!

O que acontece se recebermos sangue do tipo errado?

As transfusões de sangue ocorrem, sobretudo, para elevar a capacidade do sangue de transportar oxigênio, restabelecer o volume sanguíneo, bem como resolver problemas de coagulação. Em outras palavras, as transfusões de sangue são feitas em pacientes que apresentam algumas condições que podem ser, muitas vezes, complicadas.

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Por isso, é imprescindível, antes de iniciar o processo, observar a compatibilidade da bolsa de sangue e da pessoa que o receberá, pois o paciente poderá estar muito debilitado e, receber sangue do tipo errado, pode ser algo grave e até fatal. Embora esse tipo de equívoco seja raro, quando ocorre, é possível observar uma reação hemolítica transfusional – que resulta na destruição das hemácias, com sintomas, como:

  • desconforto geral ou ansiedade durante e logo após a transfusão;
  • febre;
  • calafrio;
  • mal-estar;
  • hemoglobinúria (presença de hemoglobina na urina);
  • insuficiência renal;
  • dificuldade respiratória;
  • pressão torácica;
  • rubor;
  • dor nas costas;
  • pressão arterial baixa;
  • muito raramente, pode levar à morte.

Normalmente, esses sintomas são leves e, assim que os médicos suspeitam de uma reação hemolítica pela transfusão de tipo de sangue errado, já ocorre um tratamento de suporte com intuito de manter a respiração e a pressão arterial da pessoa. Em seguida, solicitam exames de sangue e urina para certificar que os glóbulos vermelhos estão sendo destruídos.

Por que isso ocorre quando recebemos sangue do tipo errado?

De acordo com artigo publicado na revista Medicina, da USP de Ribeirão Preto, essa reação “é consequente à transfusão de concentrado de hemácias ABO, incompatível, na maioria dos casos.[…] Os anticorpos de ocorrência natural anti-A, anti-B e anti-A,B do paciente reagirão com as hemácias A, B ou AB do doador, causando hemólise intravascular das hemácias transfundidas e, por mecanismo de bystandard, de parte das hemácias do próprio paciente.”

Em outras palavras, esse tipo de reação acontece, quando o sangue do doador apresenta algum antígeno que o sangue do paciente não tem. No entanto, é muito raro ocorrer esse tipo de situação, pois são feitos diversos exames e análises de compatibilidade entre o sangue do doador e o sangue do paciente.

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Contudo, podem ocorrer erros logísticos no manuseio das bolsas de sangue ou a incompatibilidade pode ser devido à presença de um antígeno no sangue do doador que não é comum nos grupos sanguíneos normalmente e que não costuma ser pesquisado com frequência.

Quais são as classificações dos tipos sanguíneos?

De grosso modo, os tipos sanguíneos são classificados conforme a presença ou ausência de antígenos e anticorpos na superfície das hemácias.

Sistema ABO

O sistema ABO classifica o sangue em 4 tipos: A, AB, B e O, que são determinados geneticamente. De acordo com José Miguel Fernandes, mestre em engenharia biomédica pela Universidade do Minho, em Portugal, “o sistema ABO é o sistema mais importante para evitar casos de incompatibilidade”.

Em suma, esses tipos sanguíneos são definidos pela ausência ou presença de certos anticorpos no plasma sanguíneo (anti-A e anti-B) e antígenos na superfície das hemácias (A e B). Com as combinações possíveis, formam se os tipos sanguíneos:

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  • Tipo A: presença de antígeno A e de anti-B;
  • Tipo B: presença de antígeno B e de anti-A;
  • Tipo AB: presença de antígenos A e B e ausência de anti-A e de anti-B;
  • Tipo O: ausência de antígenos A e B e presença de anti-A e de anti-B.

Desse modo, o sangue de tipo AB é receptor universal, dentro desse sistema, e o tipo O é o doador universal.

Fator Rh

Segundo José Miguel Fernandes, o fator Rh é o sistema de classificação sanguínea mais significativo depois do sistema ABO. Nesse sistema, tem-se a presença ou a ausência do antígeno Rh na superfície das hemácias. Assim, temos os tipos de sangue:

  • Rh positivo (Rh+): presença do antígeno Rh na superfície da hemácia;
  • Rh negativo (Rh-): ausência do antígeno Rh na superfície da hemácia.

Nesse caso, Rh+ é receptor universal e o Rh- é o doador universal.

Leia também:

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Fontes: Toda Matéria, Tua Saúde, Drauzio Varella, Manual MSD.

Bibliografia:

FERNANDES, José Miguel. Dispositivo para determinação do tipo de sangue humano: aplicação aos fenótipos Rh e teste reverso. 2013. Dissertação de mestrado.

OLIVEIRA, Luciana CO; COZAC, Ana Paula CNC. Reações transfusionais: diagnóstico e tratamentoMedicina (Ribeirão Preto), v. 36, n. 2/4, p. 431-438, 2003.

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