Curiosidades

Norman Bates – A complexidade por trás do personagem de Hitchcock

Considerado como a personificação de um psicopata, Norman Bates, nos traz grandes complexidades psicológicas acerca de mente humana.

Bates Motel é uma série que se tornou um sucesso. E com um roteiro criativo e corajoso ele serviu como prólogo de umas das obras mais clássicas do cinema, Psicose (1960). Seu diretor, Alfred Hitchcock se inspirou no romance homônimo de Robert Block na criação do filme, assim dando vida ao famoso personagem Norman Bates.

Desta forma a história profunda de Psicose narra a vida do assustador e complexo personagem psicopata Norman Bates. Que por sua vez foi inspirado no assassino Ed Gein. E por ter se tornado um grande sucesso, a série Bates Motel surgiu para ser uma espécie de prólogo do filme.

Então, ao passo de que Psicose nos apresenta o assassino, Bates expõe os fatores que levaram o desequilíbrio de Norman Bates. Sendo então a “jornada” ou biografia do personagem. Assim ela se inicia pela compaixão para com o garoto doce e vulnerável, porém ao decorrer da história ele desperta o seu “outro lado”.

Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock
A esquerda Norman de Psicose, e a direita o de Bates Motel – Pinterest

Ou seja, a proposta ousada de Bates Motel nos trouxe a infância e adolescência conturbada de Norman Bates. Assim passando de uma pessoa gentil e carinhosa para um psicopata. Contudo para entendermos a sua complexidade psicológica precisamos analisar os cenários que o levaram a essa condição.

Quem é Norman bates?

Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock
Norman Bates em Psicose – Villains Wiki

Norman Bates é um personagem criado por Alfred Hitchcock, bem como protagonista do seu filme Psicose, que estreou em 1960. Filho de Norma Bates, assim como foi baseado no assassino Ed Gein. Ou seja, Norman Bates é um psicopata que possui um passado cheio de contradições, além de apresentar uma grande complexidade psicológica.

O passado de sua mãe, Norma

Um dos principais motivos para a complexidade psicológica de Norman pode estar no passado conturbado de sua mãe. Norma Bates era filha de pai abusivo, assim encontrando conforto em seu irmão mais velho, Caleb. O que acabou por se tornar algo físico, assim criando um relacionamento violento e complexo.

Continua após a publicidade

Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock

Norma e Norman Bates em Bates Motel – Sessão das três

Sendo então um dos primeiros conflitos da história, já que Norma se sente culpada por ter amado o irmão de volta. Um caso que pode ser interpretado como Síndrome de Estocolmo. Bem como um efeito do abuso psicológico de Caleb para com Norma. O que resultou em um filho, Dylan, que acaba por sofrer o desamparo da mãe.

E possuindo tantos conflitos internos, Norma Bates decide fugir com seu segundo marido, que também se revela violento.  Por conseguinte, no meio deste emaranhado de emoções e conflitos nasce Norman, fruto do seu casamento conturbado. Assim como acaba se tornando seu refúgio emocional.

Desta forma o jogo de letras no nome de seu filho já nos revela algo. O acréscimo da letra n para formar o nome do seu filho, sugere uma Norma-homem (Nor-man), sendo então sofisticado e nem um pouco aleatório. Além de anunciar uma dificuldade, que também aparece neles, de distinguir mãe e filho.

O diretor Alfred Hitchcock

Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock
Nerd Break

Podemos observar a grande carga simbólica que Norman Bates detêm quando paramos para investigar um pouco o passado do seu diretor. Alfred Hitchcock perdeu o pai ainda na juventude, assim sua mãe acabou se transformando uma mulher extremamente controladora.

Continua após a publicidade

Ele também possuía uma certa fobia de pássaros, elemento esse que está presente ao longo do filme, assim como antecipa a sua produção “Os Pássaros” (1963). Sendo que os pássaros são associados à divindade e a adivinhação, além de ser uma figura que evoca liberdade;

Liberdade essa que Norman Bates não possui, pois, os pássaros sempre aparecem mortos ou dissecados. Desta forma, todos os filmes de Hitchcock apresentam ligações com a área da psicanálise. Assim ele expõe as marcas dos seus próprios traumas de infância.

O prólogo Bates Motel

Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock
Adoro Cinema

Bates Motel estreou em março de 2013, pelo canal Universal, e tem como base o filme Psicose de 1960. Desta forma o spin off contemporâneo contra a história de Norman e sua mãe, após saírem do Arizona, por conta da morte de seu pai. Assim eles vão para White Pine Bay, em Oregon e compram um aclamado hotel de beira de estrada.

Assim, desde o episódio piloto, Bates Motel já demostravam os conflitos que ali seriam apresentados, onde Norman observava sua mãe se trocar no quarto. Desta forma ele vislumbrava o corpo quase nu da sua figura materna, em meio a uma cortina de renda.

Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock
Séries da TV Aberta

Ali se encontrava a premissa do amor entre mãe e filho, o voyeurismo, relacionamento esse que já acontecerá no passado de Norma. Portanto, a cada episódio as camadas dos personagens se acentuavam, principalmente a partir da terceira temporada – temporada essa onde Norman Bates se encontra cada vez mais perto da sua versão de Psicose.

Em sua quarta temporada, a relação de mãe e filho já está bastante perturbadora, bem como surgem episódios de desmaios quando ele passa por momentos de tensão. Dissociação psicológica relacionada aos eventos violentos da sua infância. Além de revelar o desconforto de Norman com a sexualidade, sendo que ela está presente principalmente nas cenas com sua mãe.

Continua após a publicidade

Complexidade psicológica de Norman Bates

Complexo de Édipo

Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock
ETC

Por não possui uma figura paterna, Norman cria uma grande conexão com sua mãe, assim como vincula a sua libido a ela. Além de que intui-se que Norma tenha abusado de seu filho. O que resultou em sentimentos conflitantes de Norman por sua mãe.

Desta forma ele sente uma certa “raiva” dela, contudo também possui uma grande dependência emocional. Assim, quando sua mãe inicia um relacionamento amoroso com outro homem Norman se sente ameaçado. Além de não suporta a ideia de perde-la, o que resulta no assassinato de sua mãe e do seu parceiro.

Psicanálise

Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock
Omelete

A casa de Norman Bates também pode ser interpretada de acordo com a psicanálise de Freud, pois possuem três planos. O andar de cima sendo o “superego”, onde podemos ver a sombra da mãe; o térreo o “ego”, lugar esse onde Norman apresenta uma imagem aparentemente normal para todos.

Por fim temos porão, sendo o “inconsciente” onde ele e sua mãe se fundem, sem censura, bem como se torna o lugar onde o cadáver de Norma descansa. Desta forma o próprio designe da casa funciona como uma analogia do próprio ser do personagem.

Assim, ao observar o novo parceiro de sua mãe, Norman se sente ameaçado. Portanto o seu ciumes, juntamente com a sua mente frágil o levou a um estágio patológico, resultando em um ato irracional. Desta forma ele acaba matando sua mãe bem como o seu parceiro.

Continua após a publicidade
Norman Bates - a complexidade por trás do personagem de Hitchcock
Cena de Psicose – Sessão do Medo

E não conseguindo aceitar a morte de sua mãe, ele rouba o seu cadáver e o mantem em casa. Posteriormente a culpa bem como a não aceitação do episódio acaba por transformar Norman em sua mãe. Isso aconteceu por conta da dissociação da sua mente, ao ponto de manifestar 2 personalidades definidas: a dele e de sua mãe.

Contudo essas duas personalidades viviam em constante conflito. Assim a medida que o tempo passava a personalidade de sua mãe foi se tornando cada vez mais forte, e por fim ela acabou por dominar ele. Ou seja, Norman já não era mais ele, e se transformou em sua própria mãe.

E você, gosta das obras de Alfred Hitchcock? Já assistiu Psicose ou Bates Motel?

E se gostou do nosso post confira também: Behaviorismo – 3 filósofos para entender a ciência do comportamento

Fontes: A mente é maravilhosa, Huff Post e Jornalismo Junior

Imagem destacada: OVEST

Continua após a publicidade
Próxima página »

Escolhidas para você